#6 FUTEBOL NA HISTÓRIA: FESTA DOS DOIS LADOS

    Sempre que possível, embarcaremos no baú do futebol brasileiro para resgatar jogos antigos e analisá-los segundo aquilo que vimos. Sugestões de partidas são sempre bem-vindas.


    Poucas vezes em minha vida vi dois times saírem de um jogo com quase o mesmo grau de felicidade. E considerando que uma das equipes era campeã do campeonato e fazia o jogo da entrega da taça, a festa do adversário é de chamar a atenção. Pois foi isso que vimos nesse empate por 2 a 2 entre Atlético Mineiro e América de Natal, válido pela última rodada da Série B de 2006. Tal euforia dos nordestinos era justificada: com aquele resultado, a equipe conquistava o acesso para a Série A de 2007, participando da elite do futebol brasileiro 9 anos após o rebaixamento de 1998.

    Antes de falar do jogo, vale a pena dizer como estava a tabela do campeonato antes daquela última rodada. Com 70 pontos, o Galo já era campeão, querendo fechar sua campanha com uma vitória para levantar a taça. Enquanto isso, o América ocupava a 4ª posição, com 60 pontos, dois a mais que o Paulista, 5° com 58, que enfrentaria o Brasiliense no mesmo horário do jogo do Mineirão. Portanto, o clube potiguar precisava apenas de um empate contra o líder para garantir o acesso. Para isso, o técnico Heriberto da Cunha veio com uma formação defensiva, usando o esquema 3-6-1, munido de três zagueiros e três volantes. Por outro lado, o Atlético estava quase completo, apenas com o desfalque de Rafael Miranda na volância.

    O jogo não teve um bom ritmo no início, muito pelo pouco interesse do Galo em atacar e pela postura defensiva do América. Mesmo sem tanto esforço, o Atlético saiu rápido na frente do placar: aproveitando corte errado de Robson, Danilinho tabelou com Marinho para marcar o primeiro gol, inflamando os mais de 70 mil atleticanos que lotavam o Mineirão. Após o gol sofrido, o América passou por momentos de muita instabilidade em seu setor defensivo, com sua zaga batendo cabeça. Some-se a isso a falta de criatividade no ataque e temos um jogo ruim da equipe potiguar, que era facilmente controlada pelo Galo. Enquanto isso, a derrota parcial do Paulista para o Brasiliense era a única coisa que segurava o América no G4.

    Para o segundo tempo, o América veio com uma postura mais ofensiva, embora mantendo a mesma escalação. Nos 10 minutos iniciais, o time de Natal atacou bastante, colocando o goleiro Diego para trabalhar. Entretanto, justamente quando ele estava melhor no jogo, o Galo voltou a atacar, acertando a trave com Luisinho Netto aos 12 e ampliando com Roni quatro minutos depois. No entanto, mal deu tempo para o time mineiro comemorar: logo aos 18, Max, que há pouco havia entrado, recebeu bola na área e passou para Paulo Isidoro diminuir, dando ainda uma fagulha de esperança para o América. Enquanto isso, em Taguatinga, o Paulista empatava com o Brasiliense, mantendo o time de Natal no grupo de acesso.

    Apesar do gol sofrido, o Galo manteve sua postura despreocupada na partida, mais esperando a festa ao fim do jogo do que pensando em marcar mais gols, ao contrário do América, que continuava confiante no empate que daria o acesso. Enquanto isso, notícias vindas do Planalto Central davam conta da virada do Paulista, que pulava para a quarta posição com a vitória parcial de 3 a 2 sobre o Brasiliense. Naquele momento, o time do América poderia muito bem se abater em campo, mas não foi isso que aqueles jogadores fizeram. Disposta a buscar o empate, a equipe potiguar desafiou o líder, e conseguiu o tão clamado gol do empate: aos 35, Magal retomou a bola no meio e lançou para Max, o homem da partida, bater na saída do goleiro Diego e correr para o abraço. Na força de vontade, o América estava de volta à Série A.

    Nos minutos finais, ainda ficou aquele resquício de tensão no ar, agravado ainda mais com a expulsão do volante Magal aos 41 minutos. Mas nada disso impediu o acesso do América, que comemorou muito ao apito final do árbitro Wallace Nascimento Valente. Enquanto isso, em Taguatinga, os gols não paravam de sair, mas mesmo com a vitória por 4 a 3 sobre o Brasiliense, a equipe do Paulista não conseguiu o acesso. Melhor para o América, que pôde disputar a Série A de 2007, embora com uma campanha nada honrosa. Apesar disso, muitos torcedores do clube ainda vão se lembrar por muito tempo daquele 25 de novembro de 2006.

E depois, o que houve com cada time?

Atlético: após o título da Série B de 2006, o Atlético voltou para a elite e nunca mais caiu, alternando boas e más campanhas. Nos anos de 2007 e 2008, teve desempenho mediano, mas foi bem em 2009. De lá para cá, brigou por títulos brasileiros em 2009, 2012, 2015, 2016 e neste ano de 2020, além de conquistar a Libertadores de 2013 e a Copa do Brasil em 2014.

América/RN: a campanha na Série A de 2007 até começou bem, com uma vitória por 3 a 2 sobre o Santos em plena Vila Belmiro, mas o time acabou rebaixado com um péssimo time, muito por não terem sido feitas boas contratações para a disputa da primeira divisão. Nos últimos anos, o clube sumiu também da Série B e disputa hoje a modesta Série D do Campeonato Brasileiro. Esperamos que em breve o time volte a disputar a segundona novamente.

Em tempo:

_ Para fins de nostalgia, aqui vão os resultados daquela última rodada da Série B de 2006:

Sport 2x3 Portuguesa
São Raimundo 2x0 Gama
Vila Nova 1x5 Guarani
CRB 2x1 Remo
Coritiba 4x2 Avaí
Santo André 1x1 Náutico
Paysandu 4x1 Marília
Ituano 4x1 Ceará
Atlético 2x2 América
Brasiliense 3x4 Paulista


ATLÉTICO/MG 2x2 AMÉRICA/RN
Campeonato Brasileiro 2006 - Série B - 38ª rodada
Data: 25/11/2006, 16h
Local: Mineirão, Belo Horizonte (MG)
Árbitro: Wallace Nascimento valente (ES)
Gols: Danilinho 16 do 1°; Roni 16, Paulo Isidoro 18 e Max 35 do 2°
Cartão amarelo: Thaigo Feltri, Marcinho, Du, Robson, Magal e Paulinho Kobayashi
Cartão vermelho: Magal

ATLÉTICO/MG: Diego (6,5); Luisnho Netto (6,5), Lima (5,5), Marcos (5,5) e Thaigo Feltri (6); Márcio Araújo (6), Bilu (6), Marcinho (5,5) e Danilinho (7,5) (Tchô, 5,5); Éder Luís (5,5) (Roni, 7) e Marinho (7) (Galvão, 5,5). Técnico: Levir Culpi (6,5).

AMÉRICA/RN: Fabiano (5,5); Roni (5) (Leandro Sena, 5,5), Robson (4,5) e Fernando Lombardi (5,5); Eduardo (5,5), Du (5,5) (Goeber, sem nota), Magal (5), Paulinho Kobayashi (5,5) (Max, 7,5), Souza (5,5) e Adriano Peixe (5,5); Paulo Isidoro (5,5). Técnico: Heriberto da Cunha (6). 

 

MÍDIA:

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