NO DETALHE, O MELHOR DO BRASIL

    O duelo da Supercopa do Brasil entre Flamengo e Palmeiras foi sem dúvida o melhor jogo de futebol entre equipes brasileiras dos últimos tempos, e ainda mais em um jogo que valia taça. Num confronto especial, com gols, grandes jogadas, confusão e expulsão, o rubro-negro saiu vencedor, mostrando para o alviverde quem é o melhor clube do momento. Com o empate por 2 a 2 no tempo normal, as equipes se defrontaram nos pênaltis, e da marca da cal brilhou a estrela de Diego Alves, que com braçadeira de capitão e tudo mais, defendeu três batidas e saiu como herói.

    A partida começou num ritmo frenético, contrariando aqueles que imaginavam uma longa fase de estudos entre as equipes debaixo do sol forte do Cerrado brasileiro. Logo com dois minutos o Palmeiras já saía na frente do placar: após chutão mal dado por Diego Alves, o meia palmeirense recebeu de Felipe Melo e deu um sensacional drible de corpo em Arão, pegando a bola do outro lado. Cara a cara com Diego Alves, o camisa 23 do Palmeiras bateu no canto, de três dedos, vencendo o goleiro do Flamengo. Convenhamos, levar um gol assim tão rápido era um susto tremendo para o rubro-negro, ainda mais pela sua estratégia ofensiva de encurralar o adversário.

    O Flamengo tentou responder logo, mas alguns jogadores estavam abaixo, como Bruno Henrique, Éverton Ribeiro e Gerson. Além disso, o Palmeiras marcava bem, até exagerando em algumas entradas, bem punidas com o cartão amarelo pelo árbitro Leandro Vuaden. Ancorado defensivamente nos desarmes de Filipe Luís pela esquerda e na boa saída de bola de Willian Arão, o Flamengo tentava levar perigo com o aceso Arrascaeta. No entanto, Weverton aparecia bem, como em chute de Diego. Quando não pôde defender, o goleiro palmeirense ainda contava com a sorte, como no chute de Arrascaeta de dentro da área após passe de Isla. A bola passou raspando no travessão.

    Se Filipe Luís agia bem na defesa, resolveu fazer o mesmo no ataque, mostrando toda sua qualidade no gol de empate rubro-negro. Em roubada de bola de Bruno Henrique pela ponta-esquerda, Arrascaeta passou para Filipe, que deu um bonito drible em Gustavo Gómez e acertou a trave. Sorte que, no rebote, Gabigol estava livre para empurrar para as redes, colocando ainda mais fogo no jogo. Filipe Luís merecia o gol, mas o tento também premiou o senso de colocação e o oportunismo do centroavante rubro-negro.

    O jogo, que já era bem lá e cá antes do 1 a 1, continuou na mesma toada com o empate no placar. O palmeiras era perigosíssimo em jogadas pelo meio, achando muitos espaços. Na primeira delas, Breno Lopes recebeu na área e driblou Diego Alves, batendo para o que seria um gol feito. Sorte que Diego Ribas estava ligado e acompanhou o lance, tirando de letra debaixo da baliza flamenguista. Em outros lances, Diego Alves foi exigido em chute de fora da área e, no mais tenso deles, Isla derrubou Wesley pertinho da área, mas Vuaden marcou pênalti. Sorte que existe o VAR, que converter a penalidade em falta fora da área.

    No finzinho do primeiro tempo, o Flamengo deu sua última estocada, mas ela foi digna de craque. Recebendo pela esquerda, Arrascaeta foi trazendo para o meio, livre, sem o encalço de algum volante na marcação, pois Felipe Melo e Zé Rafael estavam dentro da área. Com a maestria e a qualidade que lhe são peculiares, o uruguaio bateu no cantinho de Weverton, que nem se mexeu. 2 a 1 e uma ótima vantagem para o intervalo.

    Diferentemente do primeiro tempo, a segunda etapa foi menos movimentada, muito pela postura do Flamengo, armado mais defensivamente para segurar a vantagem. Além disso, creio que pesou também um certo cansaço, por esse ser apenas o terceiro jogo dos titulares no ano e em um horário ingrato, no solão do meio-dia. Sem tanta inspiração, o time voltou abaixo do Palmeiras, que levava perigo. A entrada de Danilo e Gabriel Menino foi muito importante para isso, pois ambos se movimentavam bem e acertaram o meio palmeirense.

    Com perigo no campo de ataque, o gol do Palmeiras parecia questão de tempo, pois o Flamengo mal conseguia manter a bola no pé quando se armava ofensivamente. E o que era questão de tempo acabou acontecendo aos 29, quando Rodrigo Caio foi juvenil e puxo Rony até dentro da área, resultando em pênalti para o time paulista. Na cobrança, Raphael Veiga bateu no canto esquerdo de Diego Alves e decretou mais uma vez a igualdade no placar.

    O restante do tempo ainda foi de equilíbrio, com as duas equipes tentando o gol, mas sem sucesso. A chance mais clara foi de Vitinho, num chute que levou dificuldade para Weverton. Bem posicionado, o goleiro palmeirense quase falhou, mas ainda conseguiu segurar a bola antes que ela passasse pela linha do gol. Goleiro bom também precisa de sorte, e Weverton mostrava que tinha muita. E assim o jogo seguiria para os pênaltis, com ligeiro favoritismo para o Palmeiras, detentor do melhor goleiro do Brasil na atualidade e melhores cobradores se comparados aos batedores do Flamengo.

    Da marca da cal, Raphael Veiga e Gustavo Gómez já começaram acertando para o alviverde, enquanto Arrascaeta fez o seu. Na segunda batida, Filipe Luís, o melhor jogador do Fla durante os 90 minutos, bateu no travessão, deixando difícil o cenário para o rubro-negro carioca. Quando Gustavo Scarpa marcou o terceiro e Matheuzinho parou em Weverton, parecia impossível a reação do Flamengo, pois só bastaria que o zagueiro Luan acertasse sua cobrança para dar mais um título para o Palmeiras de Abel Ferreira. No entanto, quem tem Diego Alves debaixo das traves tem um pegador de pênalti nato para se defender.

    Já pensando no título, Luan bateu à meia altura, no canto direito de Diego Alves. Mostrando toda sua expertise, Diego Alves se esticou e fez a defesa, mandando para mais longe o vice rubro-negro. Mas ainda faltavam os jogadores de linha do Flamengo. Era a vez de Vitinho, jogador útil mas muito contestado pela torcida por conta do alto valor investido nele. E o camisa 11 foi muito bem, deslocando Weverton com um chute perfeito.

    O 3 a 2 no placar ainda dava a vantagem para o Palmeiras. Em sua quinta cobrança, o verde levava o título se Danilo marcasse, mas coube a Diego Alves aparecer novamente, com sua catimba e experiência tão características. Ao demorar muito para executar a batida, o volante palmeirense provocou a ira do goleiro, que reclamou com o árbitro. Novamente autorizado a cobrar, Danilo tirou demais do arqueiro rubro-negro, batendo na trave. Certamente ele viu Diego ainda maior debaixo das traves do Mané Garrincha.

    Fechando a série, Gabigol empatou tudo num pênalti marrento e estiloso, bem a seu estilo. Em poucos minutos, um possível 4 a 1 se transformava em um 3 a 3 completamente inesperado, mas muito comemorado pelos flamenguistas. Por sua vez, o Palmeiras via sua vantagem ser revertida rapidamente, o que era um baque. Nas alternadas, Viña e João Gomes fizeram o 4 a 4, mas muita emoção ainda estava por vir.

    A sétima penalidade coube a Gabriel Menino, que bateu mal, ao mesmo estilo de Luan. Sem titubear, Diego Alves saltou para defender seu segundo pênalti na disputa. Agora era só marcar que o título viria, mas quem disse que seria assim tão fácil? Pepê, que perdera pênalti em partida anterior do Carioca, chutou muito mal, e Weverton só espalmou. 14 cobranças depois e o placar ainda era de empate.

    Gabriel Veron e Michael converteram suas penalidades, deixando o placar em 5 a 5. Aqui vai um depoimento meu como torcedor: sofrendo na sala e pronto para assistir o jogo da Roma no quarto, não quis assistir à cobrança batida por Michael, pois já pensava no pior. No entanto resolvi ver, e não me arrependi: com um chute forte, o criticado ponta rubro-negro acertou, enquanto Weverton pulou para o outro canto. Na última série, o herói deu seu penúltimo ato. Em batida de Mayke no canto esquerdo, Diego Alves se esticou, defendendo a cobrança e dando a vantagem de novo para o Flamengo. Sem errar dessa vez, o Fla pôde enfim comemorar na cobrança de Rodrigo Caio. Flamengo bicampeão da Supercopa do Brasil.

    Foi um grande jogo, digno de duas equipes tão campeãs e tão qualificadas. O Flamengo foi bem ofensivamente, mas alguns jogadores não desempenharam um bom papel, casos de Gerson, Arão e Éverton Ribeiro. O time concedeu muito espaço defensivamente, principalmente pelo meio, por isso penso que, apesar das boas partidas, Diego precisa sair do time para a entrada de algum zagueiro, puxando Willian Arão para a volância. Quanto ao Palmeiras, o time paulista jogou bem, mas ficou muito sujeito aos ataques rubro-negros. Mesmo batendo bastante, não conseguiu marcar bem ao ponto de anular as maiores armas do Flamengo, o que foi um dos seus maiores erros. O título fica em boas mãos.

Em tempo:

_ Apesar da forte reclamação dos palmeirenses, a arbitragem de Leandro Pedro Vuaden foi até boa, não errando em nenhum lance capital. Seu único pecado foi na parte disciplinar, não mostrando cartão para jogadores do Flamengo quando era necessário.


FLAMENGO 2x2 PALMEIRAS (6 a 5 nos pênaltis)
Supercopa do Brasil 2021
Data: 11/04/2021 - 11h
Local: Mané Garrincha, Brasília (DF)
Árbitro: Leandro Pedro Vuaden (RS)
Gols: Raphael Veiga 2, Gabigol 23 e Arrascaeta 49 do 1º; Raphael Veiga 29 do 2º
Cartão amarelo: Isla, Rodrigo Caio, Willian Arão, Rogério Ceni, Felipe Melo, Wesley, Luan, Mayke e Abel Ferreira
Cartão vermelho: Abel Ferreira

Penalidades (FLA): Arrascaeta (fez), Filipe Luís (errou), Matheuzinho (errou), Vitinho (fez), Gabigol (fez), João Gomes (fez), Pepê (errou), Michael (fez) e Rodrigo Caio (fez).

Penalidades (PAL): Raphael Veiga (fez), Gustavo Gómez (fez), Gustavo Scarpa (fez), Luan (errou), Danilo (errou), Viña (fez), Gabriel Menino (errou), Gabriel Veron (fez) e Mayke (errou).

FLAMENGO: Diego Alves (7,5); Isla (5,5) (Matheuzinho, 5), Willian Arão (4,5), Rodrigo Caio (5) e Filipe Luís (7,5); Diego (6,5) (João Gomes, 5,5), Gerson (5) (Pepê, sem nota), Éverton Ribeiro (5) (Vitinho, 5,5) e Arrascaeta (7); Bruno Henrique (5,5) (Michael, sem nota) e Gabigol (6,5). Técnico: Rogério Ceni (6).

PALMEIRAS: Weverton (7); Marcos Rocha (5,5) (Mayke, 5), Luan (5), Gustavo Gómez (5) e Matías Viña (5,5); Felipe Melo (5) (Danilo, 5), Zé Rafael (5) (Gabriel Menino, 5) e Raphael Veiga (7,5); Wesley (5,5) (Gabriel Veron, 5,5), Breno Lopes (4,5) e Rony (5,5) (Gustavo Scarpa, sem nota). Técnico: Abel Ferreira (5,5).

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