A MONTANHA-RUSSA DOS BLUES TERMINOU EM ALTA
JOSÉ RONALDO PEREIRA JÚNIOR
A montanha-russa é um dos brinquedos mais badalados dos parques de diversão mundo afora, mas, no mundo do futebol, é uma metáfora que pode gerar diversos incômodos a uma torcida, afinal a expressão costuma ser sinônima de instabilidade. O Chelsea, no entanto, conseguiu terminar a temporada com os vagões nos trilhos mais altos e garantiu o bordado da segunda estrela de seu principal título em 116 anos de história.
No início da atual temporada, o Chelsea foi ao mercado e encheu o torcedor de esperança para uma temporada novamente vitoriosa. Vale lembrar que o time londrino passou boa parte da temporada 19-20 sem poder contratar novos jogadores, devido a uma punição aplicada pela FIFA, e precisou se virar com várias soluções jovens e caseiras. Lampard, então treinador, conseguiu se virar bem e alcançou resultados melhores que a expectativa que se tinha para aquele ano. Voltando aos novos reforços para a temporada 20-21, o time de Londres apresentou jogadores de peso, como Thiago Silva e Ziyech, e boas promessas do futebol europeu, como Havertz, Werner, Sarr, Mendy e Chilwell. O novo cenário se explica com a seguinte frase: elenco melhor, cobrança maior.
Torcida animada, elenco reforçado e filosofia de jogo mantida. Tinha tudo para dar certo? Sim, porém não deu. O Chelsea parecia não se acertar em campo e rendia muito menos que as novas boas peças do elenco poderiam prometer. As derrotas para Everton, Wolverhampton, Arsenal, Manchester City e Leicester, somadas à sina de não vencer nenhum dos “big six” na Premier League, culminaram na demissão do ídolo do time londrino. Para o seu lugar, o escolhido foi o vice-campeão da Champions da temporada 19-20, o alemão Thomas Tuchel. O nome agradou uma parte da torcida e a outra parte começou desconfiada com o treinador que ainda há pouco havia sido demitido do PSG.
Não demorou muito para que Tuchel caísse nas graças da parte desconfiada da torcida. Dessa vez, percebia-se o time mais confiante e o treinador demorou mais de 10 jogos para perder a invencibilidade. Quando a confiança do time parecia inabalável, a acachapante derrota para o modesto WBA por 5x2 serviu para colocar a pulga atrás da orelha de alguns fãs, mas o mau resultado logo foi considerado um acidente de percurso, uma vez que o time seguia avançando na Champions e disputaria a final da F.A CUP. Apesar de todas as boas perspectivas, o frio na barriga dos torcedores do Chelsea ainda voltaria para assombrá-los mais uma vez, o vagão desceria de forma abrupta.
A desconfiança voltaria, ainda na temporada 20-21, a assombrar os arredores de Stamford Bridge. A possibilidade de ingresso na polêmica “superliga” gerou inúmeros protestos da torcida e, aparentemente, deixou o clima bastante pesado. Além disso, o Chelsea ainda perderia a final da F.A CUP para o Leicester e chegou na última rodada da Premier League com a vaga na Champions via competição nacional bastante ameaçada. A derrota para o Aston Villa, na última rodada, por 2 a 1 fez com que o time azul contasse com um tropeço do Leicester para se classificar para o torneio continental. A situação levantou dúvidas, mais uma vez, sobre a solidez do trabalho de Tuchel e gerou preocupação para a final europeia, não obstante vários torcedores tenham seguido rumo a Portugal para conquistar mais uma Champions.
A montanha-russa dos blues terminou em alta. Uma partida perfeita taticamente permitiu que o Chelsea anulasse o Manchester City. Os comandados de Guardiola não lembraram nem de longe o tubarão inglês da temporada 20-21, méritos de Tuchel e de seus disciplinados pupilos. Kanté fez uma partida monstruosa e já há quem credencie o volante francês a candidato à bola de ouro da Fifa. A Supercopa será contra o Villarreal e o Mundial de Clubes… Bem, o Mundial vamos ter que esperar um pouco mais para saber quem será o adversário dos blues, a torcida espera que, ao final do ano, os vagões sigam nos trilhos mais altos. Aliás, a expectativa agora é de uma constante subida…
Comentários
Postar um comentário