É PRECISO MELHORAR (E MUITO)
Ontem foi o jogo de número 100 que assisti neste ano de 2021. E para coroar essa marca, um jogo horroroso entre América e Criciúma no Independência. O 0 a 0 de ontem foi frustrante, pelo resultado e pela péssima atuação do Coelho, que pouco conseguiu agredir o time catarinense de forma clara, penando contra uma forte marcação e esbarrando nas suas próprias e muitas limitações. Méritos de Paulo Baier, técnico do Tigre, que armou um time marcador mas também organizado para arrancar o empate.
Sem os dois laterais esquerdos principais, Lisca resolveu colocar Anderson atuando por aquele lado, em detrimento do jovem Lucas Luan. Esse já foi o primeiro erro do treinador na partida. Apesar disso, logo de cara o América teve um pênalti, quando Ademir foi empurrado por Rodrigo na área aos 29 segundos. Mas na cobrança, tentando deslocar o goleiro, Rodolfo bateu mal, e jogou para fora. Foi o segundo pênalti seguido perdido pelo camisa 9, que também desperdiçou contra o Atlético na finalíssima do Mineiro.
O que se viu daí pra frente foi um jogo sonolento e pouquíssimo atrativo. O América era lento, não aparentava força suficiente para sair da forte marcação dos catarinenses, que se fechavam em duas linhas de 4. Já o Criciúma tentava em uma ou outra jogada, mas nunca assustou Cavichioli. O primeiro tempo só deu uma melhoradinha nos minutos finais, quando o Coelho tentou se soltar, mas as finalizações vinham sempre erradas, ou com pouco perigo.
No segundo tempo, o panorama foi o mesmo, embora o América tenha se equilibrado um pouco mais no jogo. Mas nada disso foi o bastante para mexer de fato com a partida, que se encaminhava para um 0 a 0 chato. Entre bocejos e inquietação, eu já não via a hora do jogo terminar, tal a lentidão. Foi como meu amigo Zé Ronaldo disse: uma partida que demora a passar. E quem também demorou foi o técnico Lisca, que só mexeu aos 24 minutos, passados 70 minutos de agressão à bola dentro de campo.
Foi uma mexida tripla, colocando Bruno Nazário, Kawê e Rodolfo no jogo, abrindo um pouco mais o time. Depois, com mais mudanças, o América se jogou à frente, tendo fatalmente mais volume. Mas ele traduzia-se em simplórios cruzamentos para a área, principalmente pelo lado direito, onde Diego Ferreira errava todos. A única chance de perigo foi com Ribamar, mas o centroavante parou no goleiro Gustavo. Faltou qualidade para conseguir a vitória, mesmo que fosse mínima.
O 0 a 0 deixa tudo em aberto para o duelo da volta, já na semana que vem. O América chega agora a uma incômoda marca de quatro jogos sem marcar gols, o que é um peso nesse momento em que a temporada vai ficando cada vez mais difícil. Lisca precisa dar um jeito no time, pois o conjunto não pode ter se perdido assim tão rápido, até porque são os mesmos jogadores. Afora isso, faltam contratações, nomes de qualidade que possam mudar um jogo. Neste momento, nomes como Ribamar, Bruno Nazário e outros não se encaixam nisso.
Em tempo:
_ É muito legal ver um ex-jogador que acompanhamos tanto virar técnico, ainda mais por um time onde tem história. Paulo Baier trabalhou bem seu time na noite de ontem, arrancando um empate contra uma equipe de Série A.
_ A escolha por Anderson na lateral-esquerda no lugar do jovem Lucas Luan foi infeliz: se o garoto da base não joga contra um time de Série C em casa, não será no Brasileirão que ele entrará.
Foto: CBF.
AMÉRICA 0x0 CRICIÚMA
Copa do Brasil 2021 - 3ª fase - Ida
Local: Independência, Belo Horizonte (MG)
Data: 02/06/2021 - 21h30
Árbitro: Leandro Pedro Vuaden (RS)
Cartão amarelo: Zé Ricardo, Rodrigo e Dudu Vieira
AMÉRICA: Matheus Cavichioli (6); Diego Ferreira (4,5), Ricardo Silva (6) (Ramon, 6), Eduardo Bauermann (5,5) e Anderson (5); Zé Ricardo (6,5), Juninho (5) (Ribamar, 5) e Alê (5); Ademir (5,5) (Kawê, 6), Felipe Azevedo (5) (Carlos Alberto, 5,5) e Rodolfo (4) (Bruno Nazário, 5,5). Técnico: Lisca (4,5).
CRICIÚMA: Gustavo (6,5); Claudinho (6) (Moacir, 6), Rodrigo (5,5), Marcel (6) e Helder (6); Dudu Vieira (6), Arilson (7), Dudu Figueiredo (5,5) (Eduardo, 5,5), Felipe Mateus (5,5) e PH (5) (Gabriel Silva, 5,5); Uilliam Barros (5) (Warley, 5,5). Técnico: Paulo Baier (7).

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