GUIA DA EURO 2020: GRUPO D

CROÁCIA

    A Croácia nitidamente não é mais a mesma vice-campeã da Copa do Mundo passada: mesmo ainda mantendo bons nomes, como Modrić, Brozović e Perisić, a seleção perdeu algumas peças: o bom goleiro Subasić pendurou as chuteiras, Rakitić se aposentou das convocações e Mandzukić decaiu demais da carreira, não conseguindo entrar em campo devido as lesões. Por isso, esperar da Croácia um mero rascunho do que foi em 2018 é otimismo demais.

    No entanto, é justamente os bons nomes que ficaram que podem levar a Croácia longe mais uma vez. Após uma fase ruim depois de vencer o prêmio de melhor do mundo, Modrić retornou ao bom futebol, com boas atuações pelo Real Madrid. Além disso, Rebić é um bom atacante, e é versátil, podendo jogar tanto centralizado quanto aberto. No meio, Brozović é um volante que marca e arma. Esse trio somado ao bom comando técnico de Zlatko Dalić pode levar o time xadrez a um lugar honroso, como as quartas de finais.

    _ Desempenho em copas: 5 Euros, 18 jogos: 8 vitórias, 5 empates e 5 derrotas;
    _ Melhor participação: Quartas de final (1996 e 2008)
    _ Na Euro 2016: Oitavas de final;
    _ Ranking da FIFA: 14º lugar

    _ Palpite Retrancados: apesar da ligeira queda em relação ao time vice-campeão da última Copa, a Croácia ainda é uma seleção de potencial, que pode dar algum trabalho para os grandes. Vejo as quartas de final como o limite dos xadrezes.

    _ O craque do time: Luka Modrić (Real Madrid) - desde que venceu o prêmio de melhor do mundo, em 2018, de forma injusta digamos assim, Luka viu seu futebol cair, talvez também reflexo da idade já avançada (fará 36 anos em setembro). Mas fez boa temporada em La Liga, na campanha do vice-campeonato merengue.


    _ Fique de olho: Marcelo Brozović (Internazionale) - marcador implacável, Brozović fez uma temporada de alto nível pela Inter de Milão, na campanha do título italiano. Ainda pode contribuir com gols e assistências, por ser um volante que chega bem à frente.


    _ O raçudo: Domagoj Vida (Beşiktaş) - é um daqueles jogadores que dá a vida em campo. Trocadilhos à parte, Vida é bom zagueiro, forte na bola aérea, e chega firme nas divididas. Além disso, é esquentadinho e bom de briga.


    _ O técnico: Zlatko Dalić, 54 anos: há um bom período no cargo, Dalić ainda goza de todo o prestígio adquirido após o vice-campeonato mundial de 2018. No entanto, com um time inferior ao daquele de três anos atrás, muitos duvidam que o raio cairá novamente no mesmo lugar. 

    _ Formação Tática (4- : Livaković; Vrsaljko, Vida, Ćaleta-Car (Lovren) e Barišić; Brozović, Modrić e Kovacić (Vlasić); Rebić, Perisić e Budimir (Petković) (Kramarić).


REPÚBLICA TCHECA

    A Eurocopa de 2016 foi dura com a simpática seleção tcheca: contra Espanha, Croácia e Turquia, os vermelhos perderam dois dos três jogos, só conseguindo um empatezinho como alento. Contando com um time envelhecido e em seu último gás naquele período, com Rosicky e Cech, desta vez a campeã de 76 nos apresenta um time melhor, com mais qualidade e, claro, mais jovem. É aproveitando esse fator que a equipe tentará surpreender.

    O meio-campo é o grande trunfo da República Tcheca para essa Euro. Além da dupla do West Ham, descrita abaixo, o time ainda tem Jankto e Barák, jogadores destacáveis da liga italiana atuando por Sampdoria e Verona, respectivamente. Mas com um ataque dependente de Schick na frente, um meio-campo bom talvez só não basta.

    _ Desempenho em copas: 9 Euros, 32 jogos: 13 vitórias, 6 empates e 13 derrotas;
    _ Melhor participação: Campeã (1976)
    _ Na Euro 2016: Fase de grupos;
    _ Ranking da FIFA: 40º lugar

    _ Palpite Retrancados: a safra tcheca é melhor que a dos últimos anos, o que a coloca num patamar superior ao da Escócia, mas obviamente inferior ao de Inglaterra e Croácia. Por isso, acredito que passa só entre os quatro melhores terceiros colocados, para cair nas oitavas.

    _ O craque do time: Tomáš Souček (West Ham) - ele até parece desengonçadão e limitado à primeira vista, mas seus 1,95 enganam. Souček na verdade é um meio-campo de técnica e com presença na frente, vital também na bola aérea. Sua temporada pelo West Ham foi muito boa: além de ter marcado 10 gols, foi titular em todos os 38 jogos do time londrino na Premier League.


    _ Fique de olho: Vladimír Coufal (West Ham) - mais um do West Ham, mais um grande jogador. Com sete assistências, o versátil meia/lateral domina o lado direito do campo, sempre com infiltrações e fazendo cruzamentos para a área. O grandalhão Schick que se prepare para as bolas que virão.


    _ O homem-gol: Patrik Schick (Bayer Leverkusen) - depois de surgir bem na Sampdoria, Schick decepcionou e muito pela Roma, mas retomou o bom futebol na Alemanha. Fez nove gols na boa campanha do Leverkusen.


    _ O técnico: Jaroslav Šilhavý, 59 anos: pelos números, é um treinador oito ou oitenta: ou vence bem ou perde vergonhosamente. Em 26 jogos comandando a República Tcheca, o técnico só empatou um. Vai precisar mesmo vencer para avançar na Euro.

    _ Formação Tática (4-2-3-1): Vaclík; Coufal, Celutska, Kalas e Boril; Král, Soucek, Masopust (Provod), Darida e Jankto; Schick.


INGLATERRA

    A Inglaterra tem um peso forte sobre os ombros: de todas as seleções campeãs mundiais, é a única que nunca venceu um torneio continental. Até mesmo a sumida Grécia tem uma Euro, enquanto os ingleses não, já que a melhor campeã dos súditos da rainha foi quando atingiu as semifinais, em 68 e em 96. Por isso, com um time excepcional, Southgate tem a responsabilidade de conduzir o time a essa inédita conquista.

    Time para isso há. O meio e o ataque é formado por jogadores de muita qualidade, como o capitão Kane, os atacantes Sterling, Rashford, os meias Grealish, Rice, Mount, entre outros. São tantos bons nomes que fica até difícil montar o onze ideal. Apesar disso, o desempenho do time não costuma proporcionar grandes atuações, inferior ao que poderia apresentar. Esse é o único medo que os torcedores têm. Mas se o ataque fazer sua parte, a Inglaterra tem tudo pra brigar firme pelo título. 

    _ Desempenho em copas: 9 Euros, 31 jogos: 10 vitórias, 11 empates e 10 derrotas;
    _ Melhor participação: Semifinais (1968 e 1996)
    _ Na Euro 2016: Oitavas de final;
    _ Ranking da FIFA: 4º lugar

    _ Palpite Retrancados: a geração fantástica da Inglaterra deve dar frutos nessa Eurocopa. Se por um lado o histórico ruim da seleção pesa contra, já que nunca sequer foi finalista, o English Team tem um time forte o suficiente para quebrar essa marca. As semifinais são um bom limite.

    _ O craque do time: Harry Kane (Tottenham) - em mais uma temporada artilheira (23 gols em 35 jogos pela PL), Kane também é um centroavante que sai da área e serve os companheiros, como o alto número de 14 assistências demonstra. Se conseguir o título jogando bem e marcando gols, entrará para a história da seleção inglesa como um dos grandes centroavantes do English Team.


    _ Fique de olho: Mason Mount (Chelsea) - campeão da Liga dos Campeões pelos blues, Mount é apontado por muitos como o melhor jogador do time londrino nessa temporada histórica. Vamos ver se mantém o nível pela Seleção.


    _ O cintura-dura: Harry Maguire (Manchester United) - você, caro leitor, lembra-se daquele esteriótipo do típico jogador inglês, cintura-dura e sem tanta técnica? Pois Maguire corresponde bem a essa descrição. Mas calma, nada de achá-lo um mau zagueiro. Apesar da falta de categoria, é um defensor nato.


    _ O técnico: Gareth Southgate, 50 anos: alguns o chamam de ultrapassado, alegando que a Inglaterra pode jogar bem melhor pela qualidade que tem. Mas Southgate tem prestígio em meio aos torcedores ingleses, turbinado pela ótima campanha do English Team na última Copa, após anos de desilusões.

    _ Formação Tática (4-3-3): Pope; Kyle Walker, Stones (Mings), Maguire e Chilwell (Shaw); Rice, Mount e Grealish; Sterling, Foden e Harry Kane.


ESCÓCIA

   Na última vez em que a Escócia esteve presente em um torneio internacional, FHC era nosso presidente, o Brasil era tetra e o dólar valia pouco mais de um dólar. Pois é, foi em 1998 que a Escócia se apresentou em uma competição oficial pela primeira vez, caindo inclusive no grupo do Brasil. Nesse tempo todo, ninguém foi capaz de trazer uma das seleções mais tradicionais da história ao seu lugar de direito, nem mesmo na mediana época de Darren Fletcher.

    Pois esse time está de volta, e empolgado para pelo menos participar com dignidade. Comparada aos companheiros de grupo, a Escócia não é isso tudo, mas tem alguns bons nomes. Se confirmar o bom futebol das eliminatórias no torneio, pode até sonhar em complicar croatas e tchecos. Com Robertson na lateral fazendo bons cruzamentos, dá até pra apostar alguns cruzados nisso, mas sem convicção alguma.

    _ Desempenho em copas: 2 Euros, 6 jogos: 2 vitórias, 1 empate e 3 derrotas;
    _ Melhor participação: Fase de grupos (1992 e 1996)
    _ Na Euro 2016: não participou;
    _ Ranking da FIFA: 44º lugar

    _ Palpite Retrancados: é bom ver a Escócia de volta a uma grande competição, após anos de safras ruins e de resultados desastrosos. Mas por mais que eu torça, creio que o sonho escocês durará apenas três jogos, ainda na primeira fase.

    _ O craque do time: Andrew Robertson (Liverpool) - titular absoluto da lateral-esquerda dos Reds, Robertson também é um jogador de alta regularidade, jogando todas as 38 partidas desta temporada na Premier League. Um achado de Jurgen Klopp no Hull City, o lateral é quem dá qualidade e categoria na criação escocesa.


    _ Fique de olho: John McGinn (Aston Villa) - importantíssimo na Seleção, vários gols da equipe saem por jogadas dele, seja finalizando ou criando. Fez 7 gols nas eliminatórias, artilheiro absoluto do time.


    _ O arqueiro: David Marshall (Derby County) - presente na seleção escocesa desde 2004, Marshall é um dos mais experientes do grupo, com 36 anos (parece até ter mais). A Escócia parece sofrer com a formação de novos goleiros: seu reserva, Gordon, tem 38.


    _ O técnico: Steve Clarke, 57 anos: só por ter conseguido o feito de levar a Escócia a um torneio importante após tantos anos já merece ser parabenizado. É um técnico de hiatos na carreira, ficando quase 12 anos sem treinar um clube.

    _ Formação Tática (3-4-2-1): Marshall; Hendry, Hanley e Tierney; Fraser, McTominay, McGregor e Robertson; McGinn e Armstrong; Dykes (Che Adams).

Comentários

Postagens mais visitadas