Mostrar que é mais do que um só jogador: esse é o plano da Polônia nessa Eurocopa, já que todos lembram somente de Lewandowski quando pensam na atual seleção. E como diz a canção: "uma andorinha voando sozinha não faz verão", independente de sua qualidade. Para isso, os poloneses contam com bons jogadores no meio-campo, como Zieliński, de boa temporada no Napoli, e o confiável goleiro Szczesny comandando a defesa. Assim, com um bom elenco e um grupo acessível pela frente, os poloneses são os maiores candidatos a passar de fase, contra Suécia e Eslováquia.
Nas Eliminatórias, a caminhada foi tranquila, com a liderança assegurada em uma boa campanha de apenas uma derrota. Mas o grupo sem tantos desafios à época, casos de Áustria e Macedônia do Norte, era bem fácil para a Polônia. Nesta Euro, apesar de tudo, não creio em repetição da campanha da Euro passada: é difícil alcançar as quartas de finais, mesmo que se preveja um confronto com o 2º colocado do grupo D nas oitavas. Há times melhores que essa Polônia.
_ Desempenho em copas: 2 Euros, 11 jogos: 2 vitórias, 6 empates e 3 derrotas;
_ Melhor participação: Quartas de final (2016)
_ Na Euro 2016: Quartas de final;
_ Ranking da FIFA: 21º lugar
_ Palpite Retrancados: sempre com Lewandowski, a Polônia mira uma colocação final próxima a da Euro passada, quando caiu apenas nas quartas de final. Tem time para isso, mas desde que não dependa somente de Lewa.
_ O craque do time: Robert Lewandowski (Bayern de Munique) - o principal polonês dos últimos 30 anos, Lewa dispensa apresentações, seus números falam por si só: além de ter vencido o prêmio de melhor do mundo em 2020, fez incríveis 41 gols na Bundesliga. Resta saber se, em um time menos qualificado, terá tantas chances de disparar na artilharia.

_ Fique de olho: Piotr Zieliński (Napoli) - meia de boa técnica e qualidade com a bola no pé, Zielinski foi muito bem pelo Napoli nessa temporada, com 18 participações em gol. Pode ser o homem que irá municiar Lewandowski na frente.
_ O experiente: Łukasz Fabiański (West Ham) - já com 36 anos, Fabiański não é mais o titular da seleção, mas fez boa temporada como goleiro do West Ham na Premier League. A Polônia está bem servida de goleiros.
_ O técnico: Paulo Sousa, 50 anos: abandonou o futebol de clubes e aceitou o desafio de treinar a Polônia nessa temporada. Mas seu trabalho até aqui é bem recente, com apenas 5 jogos e uma vitória conquistada.
_ Formação Tática (3-4-2-1): Szczesny; Bereszynski, Glik e Bednarek; Jozwiak, Moder, Krychowiak e Puchacz; Klich e Zielinski; Lewandowski.
ESLOVÁQUIA
A seleção eslovaca representa um dos maiores casos de dependência de um jogador que já vi no mundo do futebol. Desde 2010, sempre com Hamsik, tem participado de seguidos torneios, como a Copa do Mundo daquele ano, a Euro passada e a atual. Resta saber se a seleção conseguirá manter o embalo quando o bom meia de 33 anos se aposentar. Com alguns bons jogadores se espalhando pelas grandes ligas, como Dubravka, Bénes e especialmente Skriniar, os outrora tchecoslovacos têm uma esperança de se manter no cenário internacional.
Na atual competição, é bom ser realista, porque avançar de fase é quase uma utopia. Polônia, Suécia e, claro, a Espanha são times melhores, mais qualificados, e com trabalhos mais desenvolvidos. É só olharmos para o banco e já temos certeza da insegurança eslovaca: seu técnico, Stefan Tarkovic, é novato, nunca disputou um grande torneio e tem pouquíssima experiência. Além disso, os resultados recentes, como os frustrantes empates contra Chipre e Malta pelas Eliminatórias para a Copa, jogam a expectativa lá pra baixo. Pontuar será lucro nestes três jogos que virão pela frente.
_ Desempenho em copas: 1 Euros, 4 jogos: 1 vitória, 1 empate e 2 derrotas;
_ Melhor participação: Oitavas de final (2016)
_ Na Euro 2016: Oitavas de final;
_ Ranking da FIFA: 36º lugar
_ Palpite Retrancados: o time da Euro passada era sonolento, mas acabou avançando em uma chave com Gales, Inglaterra e Rússia. Mas creio que dessa vez ficará na primeira fase, voltando aos anos de figurante no cenário europeu.
_ O craque do time: Marek Hamšik (Göteborg): de saída para o Trabzonspor após a Euro, Hamšik é o melhor eslovaco da história, principal nome da Seleção há mais de dez anos. Apesar de viver uma decadência, tem muita lenha pra queimar com a camisa da Eslováquia, neste que pode ser seu último torneio internacional.

_ Fique de olho: Milan Škriniar (Internazionale) - herdeiro do lendário Skrtel na zaga da seleção, o zagueiro da Inter fez ótima temporada, um dos principais nomes defensivos na conquista do Scudetto. Bom de bola longa, ainda marca seus golzinhos.
_ O volante: Juraj Kucka (Parma) - desde 2008 na seleção, inclusive disputando a Copa de 2010, Kucka vive dias de decadência, rebaixado com o Parma no Campeonato Italiano.
_ O técnico: Stefan Tarkovic, 48 anos: sem tanta experiência, é técnico da seleção nacional há pouco tempo. Ainda não enfrentou seleções de bom nível desde que assumiu, em outubro passado.
_ Formação Tática (4-2-3-1): Dubravka; Pekarik, Satka, Skriniar e Hubocan; Kucka, Hromada, Haraslin, Mák e Hamsik; Duda.
ESPANHA
Nem parece, mas a Espanha vive uma certa crise após os três grandes títulos do período 2008-2012, com duas Euros e uma Copa do Mundo conquistadas. Eliminada precocemente nas últimas duas Copas, caindo inclusive na primeira fase em 2014 e perdendo para a Rússia em 2018, além de uma queda contra a Itália no primeiro adversário mais forte que enfrentou, a Espanha não está num bom momento quando se trata de uma competição oficial. E somando-se a isso a polêmica convocação de Luis Enrique, a Fúria chega com dúvidas para mais uma Eurocopa.
Não obstante a falta de alguns atletas, a seleção não joga um futebol que empolga: tirando o maravilhoso 6 a 0 sobre a Alemanha em novembro passado, o time anda somando resultados magros, e sendo vazada constantemente, inclusive contra times do porte de Geórgia e Kosovo (!!!!!!!). Talvez a figura de Sergio Ramos esteja fazendo falta para botar ordem na defesa espanhola. Por conta de tantos problemas, não confio nem um pouco nessa Espanha, e penso que poucos apostarão seus míseros reais no tetra da Fúria.
_ Desempenho em copas: 9 Euros, 40 jogos: 19 vitórias, 11 empates e 10 derrotas;
_ Melhor participação: Campeã (1964, 2008 e 2012)
_ Na Euro 2016: Oitavas de final;
_ Ranking da FIFA: 6º lugar
_ Palpite Retrancados: tem um bom time para chegar longe na Eurocopa. No entanto, quase ninguém aponta a Espanha como uma das favoritas, incluindo este cronista que vos escreve. Por poder enfrentar a Inglaterra já nas quartas, acho que cai aí mesmo.
_ O craque do time: Thiago Alcântara (Liverpool) - em uma seleção sem tantos nomes tarimbados, o hispano-brasileiro Thiago se destaca pela sua técnica e categoria com a bola no pé. É daqueles jogadores que pouco erram passe e ajudam muito na criação das jogadas.

_ Fique de olho: Gerard Moreno (Villarreal) - fez uma temporada sensacional no ataque do Villarreal, campeão da Europa League pelo Submarino Amarelo e vice-artilheiro da La Liga, com 23 gols, atrás apenas de Lionel Messi.
_ O goleiro: David De Gea (Manchester United) - ele já não é mais o mesmo pelo futebol inglês, e ainda foi o vilão no vice do United na Europa League. Com ele no gol, não vejo a Espanha indo tão longe.
_ O técnico: Luis Enrique, 51 anos: sem dúvidas, o técnico mais criticado da Europa no final de maio e início deste mês foi o treinador espanhol, já que ele fez uma convocação polêmica, deixando bons nomes de fora, e ainda trouxe apenas 24 dos 26 jogadores possíveis. Vejamos se consegue transformar as amargas críticas em um delicioso troféu em Wembley.
_ Formação Tática (4-3-3): Unai Simón; Azpilicueta, Laporte, Pau Torres e Jordi Alba; Marcos Llorente, Rodri e Pedri; Gerard Moreno, Ferran Torres e Morata.
SUÉCIA
A Suécia vem pra mais uma Eurocopa em um cenário parecido ao de sua participação na Copa do Mundo: sem Ibrahimovic, será que os suecos conseguirão ser um time realmente competitivo? A perspectiva apresentada após a campanha de quartas de final da última Copa é positiva, e os nórdicos amarelos esperam repetir - ou até superar - o desempenho de três anos atrás. Olhando para si, para os outros e para o chaveamento da competição, não é loucura pensar assim.
Já que está sem Ibra, dessa vez lesionado, a Suécia tem como destaques um atacante artilheiro, um meia criador e um zagueiro técnico, apesar de mais velho. De grande desempenho em La Liga, Isák é a força sueca no ataque, municiado pela armação de Forsberg no meio-campo e um Granqvist seguro na defesa amarela. O técnico, Jan Andersson, tem um time seguro em mãos, que só precisa de uma pitada de seu bom trabalho para convencer. Isso será o bastante para ir longe na Euro? Os suecos garantem que sim.
_ Desempenho em copas: 6 Euros, 20 jogos: 5 vitórias, 6 empates e 9 derrotas;
_ Melhor participação: Semifinais (1992)
_ Na Euro 2016: Fase de grupos;
_ Ranking da FIFA: 18º lugar
_ Palpite Retrancados: tem time para brigar por vaga com a Polônia. Mas por estar sem Ibrahmovic, passar das oitavas é um pouco demais para as pretensões suecas.
_ O craque do time: Alexander Isák (Real Sociedad) - sem Ibra no time, o centrovante da Real Sociedad é quem assume o protagonismo na frente. Entrou no top-10 da artilharia da La Liga, onde joga bem há algumas temporadas.

_ Fique de olho: Dejan Kulusevski (Juventus) - fez uma temporada de altos e baios pela Juve, mas ainda sim é um bom jogador, novo e que pode evoluir muito. Versátil, pode jogar tanto no meio como no ataque sueco.
_ O ancião: Andreas Granqvist (Helsingborgs) - se tem um jogador da atual seleção sueca que eu conheço há muito tempo, este é Granqvist. Zagueiro de 36 anos, representa seu país desde antes mesmo da Copa de 2006. Ainda é batedor de pênaltis.
_ O técnico: Jan Andersson, 58 anos: seis anos como técnico da seleção não é pra qualquer um. Faz um trabalho consistente, que não precisa de Ibrahimovic para ter sucesso, ao contrário de seus antecessores.
_ Formação Tática (4-4-2): Olsen; Lustig, Danielsson (Granqvist), Lindelöf e Augustinsson; Ekdal, Olsson, Sebastian Larsson e Forsberg; Berg e Isák.
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