PEQUENO GUIA DA EURO 2020: GRUPO A

ITÁLIA

    De volta a um grande campeonato após 6 anos, os italianos têm motivos de sobra para acreditar em uma campanha digna de sua Seleção, diferentemente do que vem acontecendo pelo menos nos últimos sete anos. Dispondo de uma boa geração, comandada por um técnico inteligente, o conjunto só poderia ser de um time bem afiado, organizado e muito competitivo. Prova disso está nos números, em que a Squadra Azzurra ostenta uma incrível marca de 25 jogos de invencibilidade, com 20 vitórias e 5 empates, sendo 8 triunfos consecutivos. Essa é uma credencial e tanto para esperar uma grande campanha na Euro.

    Dentro de campo, trata-se do melhor elenco italiano há pelo menos uns 8 anos. O time conta com uma defesa sólida, calcada em nomes como Chiellini e Bonucci, um meio-campo de elite, com Verratti, Pellegrini, Jorginho e Barella, e um ataque letal, com Insigne e Immobile. Diante de tantos bons nomes, é impossível não pensar em sucesso, e o bi pode sim ser realidade.


    _ Desempenho em copas: 9 Euros, 38 jogos: 16 vitórias, 16 empates e 6 derrotas;
    _ Melhor participação: Campeão (1968)
    _ Na Euro 2016: Quartas-de-final;
    _ Ranking da FIFA: 7º lugar

    _ Palpite Retrancados: em que pese o equilíbrio da chave, a Itália deve passar sem sustos, conseguindo a liderança. Mas no mata-mata a coisa encrespa, com a possibilidade de Bélgica, Alemanha e França pelo caminho. Por essas e outras, creio que a Azurra atinge as semifinais.

    _ O craque do time: Lorenzo Insigne (Napoli) - com seus 30 anos, Insigne amadureceu, passando de ponta veloz e irregular para um jogador confiável e maestro do Napoli na Serie A. Com seus gols e assistências, o baixinho da 10 é o principal nome de uma forte seleção.


    _ Fique de olho: Nicollò Barella (Inter) - motorzinho de uma Inter campeã italiana, Barella foi fundamental no Scudetto da Beneamata, carregando o piano da marcação ao lado de Brozović. Diante de tanta concorrência, vem conseguindo se firmar como volante da seleção.


    _ O experiente: Giorgio Chiellini (Juventus) - o tempo passa, companheiros vão e vem, mas Chiellini segue firme na zaga da Seleção. Do alto de seus 36 anos, o experiente zagueiro não jogou tanto na bagunça que foi a Juventus nessa temporada, mas pode ajudar muito com sua garra e experiência.

    _ O técnico: Roberto Mancini, 56 anos - técnico da Itália desde o insucesso na qualificação para a última Copa, Mancini faz excelente trabalho de recuperação, com apenas duas derrotas. Após anos de ostracismo do futebol italiano, com vexames em Copas e derrotas na Euro, o torcedor confia no técnico para trazer a Itália de volta aos trilhos.

    _ Formação Tática (4-3-3): Donnarumma; Florenzi, Bonucci, Chiellini (Bastoni) e Spinazzola; Verratti, Barella (Jorginho) e Pellegrini (Locatelli); Chiesa (Berardi), Insigne e Immobile.


SUÍÇA

    Com muitos jogadores com experiência internacional, a Suíça vai para sua segunda Euro seguida com a sensação de que pode mais. Baseada ainda em Shaqiri e Xhaka, a seleção vem fazendo um bom papel nos últimos anos, sempre participando de torneios importantes. Desde 2006, o time disputou todas as Copas, só ficando de fora de uma edição da Eurocopa em 2012. No entanto, quando chega a hora do vamos ver, os suíços amarelam, caindo sempre no primeiro mata-mata. Guardadas as devidas proporções, é quase um México europeu, se classificando na fase de grupos mas tropeçando no primeiro jogo à vera.

    Nas eliminatórias para a Euro, a classificação veio sem sustos, com a liderança em um equilibrado grupo com Dinamarca e Irlanda, entre outros. Dentro das quatro linhas, é um time organizado e metódico, como diz o estereótipo suíço, embora tenha um jogo por vezes burocrático. Mas sob a batuta de Vladimir Petković, comandante há quase 7 anos, o ferrolho e o foco defensivo de antigamente não existem mais. Os telespectadores agradecem.

    _ Desempenho em copas: 4 Euros, 13 jogos: 2 vitórias, 5 empates e 6 derrotas;
    _ Melhor participação: Oitavas de final (2016)
    _ Na Euro 2016: Oitavas de final;
    _ Ranking da FIFA: 13º lugar

    _ Palpite Retrancados: mesmo que Turquia e País de Gales sejam times organizados, a Suíça deve assegurar a segunda posição do grupo. No mata-mata, a coisa pode complicar, já que o vice do grupo B seria o adversário. Por isso, as oitavas devem ser novamente o limite.

    _ O craque do time: Xherdan Shaqiri (Liverpool) - pelo menos há alguns anos, o baixinho meia/ponta é o grande destaque da Suíça. Mas a temporada não foi boa pelos Reds: entre lesões e um interminável banco de reservas, Shaqiri disputou apenas 14 jogos em 2020/21, o que pode colocar em risco sua boa forma na Euro.


    _ Fique de olho: Granit Xhaka (Arsenal) - símbolo de uma temporada ruim do Arsenal, Xhaka quase sempre correspondeu pela Seleção, herdando o legado de meio-campistas deixado por Inler e Behrami.


    _ O homem-gol: Mario Gavranović (Dinamo Zagreb) - jogador de altos e baixos na carreira, o centroavante de 31 anos viveu uma temporada artilheira, com 16 gols em 27 jogos no "Croatão". Com esses números, pode até ser o titular do ataque suíço, relegando Seferović ao banco.



    _ O técnico: Vladimir Petković, 57 anos - o suíço Petković é um dos treinadores mais longevos dessa Euro, comandando a seleção desde julho de 2014. Nesse período, conseguiu classificar o time à uma Copa e duas Euros, sempre passando de fase. 

    _ Formação Tática (3-4-1-2): Sommer; Elvedi (Schär), Akanji e Ricardo Rodríguez; Widmer (Mbabu), Freuler, Xhaka e Zuber; Shaqiri; Embolo e Seferović.


TURQUIA

    A campanha turca na última edição da Euro foi frustrante, com duas derrotas e um futebol pouco chamativo. Nos cinco anos que separam esta edição da anterior, a coisa mudou, e a Turquia pode sim voltar a seus bons tempos, como no início do século. Para isso, trouxe o comandante daquele time de Hakan Sukur e companhia, o treinador Şenol Güneş, que vem dando consistência a uma seleção ainda pouco experiente.

    A diferença entre as versões 2021 e 2016 da Turquia está em nomes mais conhecidos no futebol europeu, como os bons zagueiros Kabak e Soyüncü, os meias Çalhanoglu e Yazici e o atacante Cengiz Ünder, além do experiente centroavante Burak Yilmaz, todos eles jogadores de grandes centros, não ficando restritos à Süperliga turca. A mescla desses atletas mais experientes com a juventude de Çakir, Ridvan e Kokçu pode trazer bons frutos. Entretanto, repetir a história da Euro 2008 está fora de cogitação.

    _ Desempenho em copas: 4 Euros, 15 jogos: 4 vitórias, 2 empates e 9 derrotas;
    _ Melhor participação: Semifinal (2008)
    _ Na Euro 2016: Fase de grupos;
    _ Ranking da FIFA: 29º lugar

  _ Palpite Retrancados: para passar em segundo, o duelo contra a Suíça será importantíssimo. Mas se terminar em terceiro, é difícil passar pelas oitavas, já que França e Espanha podem atravessar o caminho turco.

    _ O craque do time: Burak Yilmaz (Lille) - 35 anos e muita lenha para queimar: assim podemos caracterizar Burak Yilmaz, centroavante do Lille, autor de 16 gols em 28 jogos, sendo fundamental para o time francês na conquista da Ligue 1 dessa temporada.


    _ Fique de olho: Hakan Çalhanoglu (Milan) - principal nome turco dos últimos tempos, só ofuscado por Burak Yilmaz nesse ano. Fez boa temporada no Milan, embora tenha caído junto com a má fase do time.


    _ A promessa: Uğurcan Çakir (Trabzonspor) - melhor goleiro turco há alguns anos, Çakir terá sua primeira chance como titular da seleção em um grande torneio. Se mantiver o nível de suas atuações pelo clube, que o credenciaram à seleção do campeonato local, a Turquia tem bem menos chances de sofrer gols.

    _ O técnico: Şenol Güneş, 69 anos - técnico da seleção turca em 2002, o experiente Güneş está de volta, pretendendo levar sua seleção a mais um mata-mata em uma competição importante. Seu trabalho, que já dura 2 anos, é bem avaliado pelos fanáticos torcedores, com apenas três derrotas em 26 jogos.

    _ Formação Tática (4-2-3-1): Çakir; Çelik, Kabak, Soyüncü e Meraş (Ridvan); Yokuşlu, Ozan Tufan, Yazici, Karaman e Çalhanoglu; Burak Yilmaz.


PAÍS DE GALES

    Aos desavisados de plantão, não esperem que o atual time galês repita o feito da Euro passada, semifinalista na França; isso é quase impossível. Com muitos bons jogadores daquela equipe entrando em decadência, assim como sua melhor peça, Gales deverá fazer mera figuração. Contar com um não tão rápido Bale e um irregular Ramsey significa sofrer muito contra Itália, Suíça e Turquia.

    Além disso, a equipe é mais jovem, com novas promessas, mas que não se destacaram tanto por seus clubes a ponto de conquistarem a titularidade. Aliás, como são jogadores de grandes clubes, como Chelsea, Liverpool e United, pode-se dizer que é um time para o futuro. Quem sabe na Euro 2024? Voltando ao presente, quem deve mesmo segurar a onda é Bale: apesar da queda, pode ser perigoso e carregar sua seleção se tiver um time que joga por ele. Mas se bem marcado, derrapará junto com seus compatriotas.

    _ Desempenho em copas: 1 Euro, 6 jogos: 4 vitórias, 0 empates e 2 derrotas;
    _ Melhor participação: Terceiro Lugar (2016)
    _ Na Euro 2016: Semifinal;
    _ Ranking da FIFA: 17º lugar

    _ Palpite Retrancados: a zebra de 2016 não deve ocorrer novamente, e Gales deve ficar na primeira fase. Somar algum pontinho contra Turquia e Suíça já ficará de bom tamanho para a seleção britânica.

    _ O craque do time: Gareth Bale (Tottenham) - alternando entre o banco e o time titular dos Spurs, Bale foi bem quando esteve dentro de campo, marcando 11 gols em 20 jogos, mas também sofreu com lesões. Nesse ritmo, repetir as atuações de 2016 será difícil para o outrora jogador mais veloz do mundo.


    _ Fique de olho: Aarom Ramsey (Juventus) - mais um que não teve boa temporada, Ramsey ainda não se firmou no futebol italiano, tendo seu desempenho dificultado pela bagunça que foi a Juve na temporada. Mas ainda é confiável, pelo menos em nível de Seleção.


    _ O decadente: Jonathan Williams (Cardiff) - um dos bons nomes galeses na Euro de 2016, quando entrava no segundo tempo e ajudava muito o time, Williams decaiu, jogando hoje no péssimo Cardiff. Em cinco anos, ainda não se firmou em algum lugar.


    _ O técnico: Robert Page, 46 anos - auxiliar técnico de Ryan Giggs, recebeu a missão de comandar Gales na Euro há pouco tempo, após as denúncias de assédio sexual contra o ex-meia do United. Sob um clima turbulento, a tarefa de pontuar será ingrata.

    _ Formação Tática (3-4-3): Ward; Mepham, Rodon e Ben Davies; Connor Roberts, Ampadu, Allen (Ramsey) e Neco Williams; Bale, Harry Wilson e Daniel James.

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