O ESTADO NOVO DE VARGAS
Eduardo Vargas está vivendo uma nova fase com a camisa do Galo. Após chegar com o status de contratação badalada no ano passado, o atacante chileno emendou uma fase ruim no final da temporada 2020 e no início da atual, perdendo espaço e sendo relegado ao banco de reservas. Mas agora, após entrar bem e com vontade nos últimos jogos, fazendo gols e sendo participativo, pode voltar a cobiçar uma vaga de titular no onze atleticano. Ontem, contra o Bahia, sua entrada no jogo foi fundamental para transformar uma partida difícil com o resultado ruim em um placar favorável para a classificação alvinegra.
Foi aquele típico jogo que a imprensa esportiva costuma dizer que teve "dois tempos distintos". Na primeira etapa, o Bahia esteve ligado e comandou as ações, disposto a marcar de uma vez os gols para igualar o resultado agregado. Montado num inteligente 4-2-3-1 com a estreia de Mugni pelo lado esquerdo, o Tricolor de Aço foi totalmente diferente da primeira partida, agora sem três volantes e com um meio mais criativo, já que Rodriguinho estava de volta. Tudo isso para quebrar a péssima sequência de cinco jogos sem marcar gols. Pelo outro lado, o Galo veio com o desfalque de Zaracho mais a presença de Nacho no banco, o que acabou deixando o time engessado por ter três volantes e um ineficiente Eduardo Sasha na ponta esquerda. Assim, o primeiro tempo foi de dificuldades para o time alvinegro.
O Bahia começou mais ligado na partida, e abriu o placar cedo, aos 12 minutos, com Rossi: após lançamento mal cortado por Réver, a bola sobrou para Rodriguinho, que passou para o atacante baiano fazer um bonito gol, dominando no peito e chutando no cantinho de Éverson. Apesar da qualidade da finalização, o goleiro atleticano falhou feio, pois era uma bola completamente defensável e passou por baixo de seu corpo. Pelo que jogavam as duas equipes, com um Bahia que levava perigo no ataque e um Atlético que não conseguia atacar, o 1 a 0 era justo àquela altura. O placar quase aumentou aos 29, com uma sensacional defesa de Éverson em uma cabeçada da pequena área, mas o goleiro do Galo foi bem.
O primeiro tempo do Bahia era quase perfeito, e ficou ainda melhor depois do 2 a 0, marcado no finalzinho por Juninho Capixaba. Após uma breve queda de energia em um refletor do estádio Joia da Princesa, o jogo voltou faltando pouco mais de um minuto para terminar. Com dez minutos além do tempo, Mugni ainda teve a chance de receber uma bola pela esquerda e cruzar na medida para Juninho, de cabeça, ampliar. O 2 a 0 dava a chance do Bahia marcar no segundo tempo e sair na boa, enquanto o Galo teria que batalhar para diminuir o placar.
Veio o segundo tempo e Cuca fez três mudanças, o que não é comum nem mesmo nesses tempos pandêmicos em que cinco substituições são permitidas. Com Vargas, Borrero e Nacho em campo, para as saídas de Sasha, Savarino e Tchê Tchê, o Galo foi melhor e mais ofensivo, levando perigo em investidas pelo lado esquerdo de ataque, nas costas de Nino Paraíba. Um número demonstra bem a melhora atleticana: se no primeiro tempo o time finalizou apenas duas vezes contra 11 do Bahia, além de não ter chutado certo, na segunda etapa o Galo deu 7 finalizações, enquanto o time baiano deu 5. Nas finalizações corretas, duas para cada lado.
Como os jogadores entraram bem e o Bahia não conseguia mais atacar com qualidade, era natural o gol atleticano, e ele veio aos 18 minutos, com Eduardo Vargas cabeceando um cruzamento perfeito de Borrero no cantinho do goleiro Matheus Teixeira. Dois dos três jogadores que Cuca colocara em campo fizeram a jogada do gol, mas longe de dar os méritos ao treinador, já que a escalação inicial foi mesmo um pouco equivocada, com três volantes e um atacante como Sasha na ponta. Delírios de técnico.
Nos 30 minutos restantes, o Bahia não teve a capacidade suficiente de diminuir o placar e o resultado ficou por isso mesmo, num 2 a 1 comemorado pelos mineiros, mas que não agrada a ninguém. Se por um lado fica o sabor positivo pela classificação, fica também a lição de que há muita coisa a melhorar, a começar pelo gol. No ataque também, já que Hulk ficou isolado e foi pouco acionado, voltando demais para buscar a bola. Por fim, Junior Alonso não vive a melhor das suas fases na defesa atleticana, errando na marcação no gol de Juninho Capixaba. Já no Bahia, a situação era mesmo péssima, o time só perdia e não marcava gols. Pelo menos agora o time voltou a jogar bem, mesmo que por apenas um tempo, e ainda marcou dois gols. Parece que o elenco está com Dado Cavalcanti, o que é fundamental para que o trabalho possa prosseguir e o time melhorar. Entretanto, no momento, as perspectivas não são muito boas.
Em tempo:
_ Como diria o comentarista da CBN São Paulo, Raphael Prates, há jogadores capazes de "voos de águia e mergulhos de martim-pescador". Assim é Éverson, goleiro que falhou feio no primeiro gol do jogo mas salvou uma cabeçada certeira do Bahia.
BAHIA 2x1 ATLÉTICO/MG (2x3 no agregado)
Copa do Brasil 2021 - Oitavas de final - Volta
Data: 04/08/2021 - 21h30
Local: Estádio Joia da Princesa, Feira de Santana (BA)
Árbitro: Vinicius Gonçalves Dias
Gols: Rossi aos 12' e Juninho Capixaba aos 45+10'; Eduardo Vargas aos 63'
Cartão amarelo: Rossi, Luiz Otávio, Thonny Anderson, Dado Cavalcanti, Nacho Fernández, Eduardo Vargas, Borrero, Éverson e Allan
BAHIA (4-2-3-1): Matheus Teixeira (5,5); Nino Paraíba (5,5), Germán Conti (5), Luiz Otávio (6) e Juninho Capixaba (6,5); Patrick de Lucca (5) (Lucas Araújo, 5,5), Danielzinho (5,5), Rossi (6,5) (Óscar Ruíz, sem nota), Mugni (6,5) (Thonny Anderson, 5,5) e Rodriguinho (C) (6) (Ronald, sem nota); Gilberto (4,5). Técnico: Dado Cavalcanti (6).
ATLÉTICO/MG (4-3-3): Éverson (5); Mariano (5) (Guga, 5,5), Réver (C) (5,5), Junior Alonso (5) e Dodô (6); Allan (6,5), Tchê Tchê (5,5) (Nacho Fernández, 6) e Jair (5) (Neto, sem nota); Savarino (5) (Borrero, 6,5), Eduardo Sasha (4,5) (Eduardo Vargas, 7) e Hulk (5). Técnico: Cuca (5,5).
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