TAMANHO É DOCUMENTO?
Quando se fala em goleiros de futebol, qual a imagem que vem à sua mente? Certamente você irá pensar em um sujeito alto, de preferência acima dos 1,90, e dentro do peso ideal. Pois essa não é a melhor descrição para Óscar Pérez Rojas, ou, simplesmente, Óscar Pérez, famoso goleiro mexicano que, com seus 1,72 de altura e uma ótima impulsão, fez grande carreira no futebol local, sendo o jogador com mais jogos disputados na liga nacional. É hora de conhecer sua história.
Conhecido como El Conejo (O Coelho) por sua elasticidade e agilidade debaixo das traves, Pérez começou a carreira no Cruz Azul, tradicional time da Cidade do México. Tendo subido da base em 1991, só começou a ser aproveitado alguns anos depois, em 1993, então com 20 anos, quando substituiu o titular Guadarrama em um 0 a 0 com o Atlas. No entanto, alternando entre a reserva e um ou outro jogo esporádico, o baixinho goleiro só pôde assumir a titularidade do Cruz Azul em 1997, quando o então técnico Luís Fernando Tena deciciu usar o mítico Jorge Campos, recém-contratado, como atacante.
Assim, Pérez fez uma grande temporada, conquistando três importantes títulos: a Liga Nacional, contra o León, a Copa MX e a Liga dos Campeões da CONCACAF, enfrentando o Los Angeles Galaxy na final. Com suas boas atuações, Óscar Pérez foi ganhando respeito com o povo local, o que o levou a fazer sua estreia pela Seleção Mexicana em dezembro de 1997. O adversário foi o Brasil, em um empolgante 3 a 2 que credenciou ainda mais a Seleção Brasileira a conquistar o título da competição, cinco dias depois.
De volta ao México, Pérez continuou com boas temporadas por seu Cruz Azul, embora sem conquistar títulos. Em 2001, seu time fez ótima campanha na Libertadores, liderando o grupo 7 na fase inicial, à frente do São Caetano, além de eliminar times tradicionais no mata-mata, como Cerro Porteño, River Plate e Rosario Central. Pena pra ele que, na grande final contra o Boca Juniors de Riquelme, o Cruz Azul acabou derrotado nos pênaltis por 3 a 1, após perder em casa na partida de ida e dar o troco em plena La Bombonera.
Um ano depois, Pérez foi o titular da Seleção Mexicana na copa da Coreia e do Japão, surpreendendo a todos ao desbancar Jorge Campos como o camisa 1 do time. Isso também aconteceu anos depois, na Copa de 2010, quando Óscar garantiu a confiança do treinador ao assumir a titularidade do time, relegando Guillermo Ochoa ao banco de reservas. Nas duas competições, o técnico era Javier Aguirre e o México alcançou as oitavas de final.
Ainda no Cruz Azul, El Conejo chegou a marcar um gol de cabeça em uma partida contra o Tecos, pela oitava rodada do Apertura 2006. Mesmo baixinho e vigiado pelos zagueiros adversários, naquele que era o último minuto do jogo, o goleiro subiu mais alto que a marcação e fez o gol de empate, balançando as redes do goleiro Jesús Corona. Foi seu segundo gol na carreira, o primeiro oficial. Entretanto, aquele período foi de instabilidade para Pérez, e o goleiro deixou o Cruz Azul ao fim da temporada 2007-2008.
Passando por Tigres, Jaguares Chiapas, Necaxa e San Luís, sempre como titular mas sem conquistar títulos, Óscar Pérez só foi se estabelecer em um clube na temporada 2013-2014, quando foi contratado pelo Pachuca. Naquela altura, os Tuzos viviam uma má fase, não conseguindo fazer boas campanhas na Liga MX e pouco competitivos frente a América, Tigres e León, entre outros clubes. Foi só a partir de 2014 que o Pachuca conseguiu se reerguer, alcançando campanhas consistentes. Porém, tropeços em momentos decisivos derrubaram qualquer chance de título.
No entanto, a vida voltou a sorrir para Óscar Pérez em 2016. Com um time forte e dotado de bons jogadores, como o uruguaio Urretaviscaya e a promessa Hirving Lozano, hoje no Napoli, o Pachuca fez grande campanha, enfrentando o Monterrey na final. Após uma vitória por 1 a 0 em casa, gol de Franco Jara, os Tuzos começaram perdendo o jogo da volta, gol de Dorlan Pabón, mas graças a um gol de Victor Guzmán nos acréscimos o Pachuca conseguiu o título, voltando a ganhar a liga após quase dez anos de jejum. Para Pérez, a alegria era ainda maior, pois ele levantava um troféu da competição depois de longas 19 primaveras. Então com 43 anos, parecia ser o título perfeito para fechar uma respeitosa carreira. Entretanto, havia mais por vir.
Na temporada 2016-2017, o Pachuca manteve um forte time, apesar da saída de alguns jogadores, e conquistou o título da Liga dos Campeões da CONCACAF em cima do compatriota Tigres. Naquele jogo, El Conejo ficou no banco, sendo reserva de Alfonso Blanco, mas três dias depois, em 29 de abril, esteve em campo para mostrar sua importância. Pela 16ª rodada do Clausura 2017, contra o seu ex-time Cruz Azul, os Tuzos perdiam jogando em casa, resultado que os tirava dos playoffs. No entanto, mesmo com seus 1,72 de altura, Óscar Pérez saiu de sua área para testar com força após cobrança de escanteio e marcar o gol de empate, justamente contra Jesús Corona, goleiro que havia sofrido o gol de Pérez em 2006. Apesar disso, o Pachuca não conseguiu se classificar.
Ainda em 2017, Pérez ultrapassou o colega de posição Osvaldo Sánchez como jogador com mais partidas disputadas na liga mexicana, um feito e tanto para um goleiro tão baixinho. No fim do ano, seu Pachuca disputou o Mundial de Clubes, em que foi eliminado pelo Grêmio nas semifinais com um gol de Éverton "Cebolinha" na prorrogação. Foi nesse jogo que El Conejo se tornou conhecido no Brasil, pelo seu tamanho e por sua forma física, além do visual, que mais parecia o de uma pessoa comum do que o de um jogador de futebol.
Após essa temporada, Pérez foi relegado ao banco de reservas, sendo mais importante pela sua liderança e influência entre os companheiros do que como milagreiro (e artilheiro) dentro de campo. Até que, em julho de 2019, depois de 26 anos de uma prodigiosa carreira, o goleiro anunciou sua aposentadoria do futebol, então com incríveis 46 anos. No final daquele mês, ainda fez sua última aparição, recebendo homenagens pelo Cruz Azul antes do empate por 1 a 1 com o Toluca. El Conejo não atuou, mas fez uma defesa simbólica no pontapé inicial e foi aplaudido de pé pelo estádio e por companheiros de equipe. 740 partidas depois, ali estava fechada a sua história.
Homenagens merecidas a El Conejo na sua despedida dos gramados.
Hoje em dia, Óscar Pérez trabalha como treinador de goleiros do Cruz Azul, onde parece exercer a função com a mesma competência dos tempos em que vivia debaixo das traves: com sua ajuda, o time azul e branco da Cidade do México foi campeão do Clausura 2021 ao bater o Santos Laguna na final, além de ter sido a melhor defesa da competição, com o experiente goleiro Jesús Corona, a vítima dos gols de El Conejo, na meta.
Quebrando todos os prognósticos, por sua baixa estatura e forma física fora do ideal, Pérez é herdeiro da tradição mexicana de goleiros baixinhos (e artilheiros) iniciada por Jorge Campos. Para eles, a frase "tamanho não é documento" nunca fez tanto sentido.
Óscar Pérez Rojas
Data de nascimento: 1º de fevereiro de 1973
Local: Cidade do México
Altura: 1,72 m
Pé: destro
Apelido: El Conejo
Clubes: Cruz Azul (1991-2013), Tigres (2008-2009), Jaguares de Chiapas (2009-2010), Necaxa (2010-2011), San Luís (2011-2013) e Pachuca (2013-2019), totalizando 741 jogos e 2 gols marcados.
Seleção Nacional: 1995-2010, 21 jogos. Participou das Copas do Mundo de 1998 (como reserva), 2002 e 2010 (como titular).
Títulos: Liga dos Campeões da CONCACAF (1996 e 1997 pelo Cruz Azul e em 2016-2017 pelo Pachuca); Liga Mexicana (1997 pelo Cruz Azul e 2016 pelo Pachuca); Copa México (1996-1997 pelo Cruz Azul); Copa das Confederações (1999).
Local: Cidade do México
Altura: 1,72 m
Pé: destro
Apelido: El Conejo
Clubes: Cruz Azul (1991-2013), Tigres (2008-2009), Jaguares de Chiapas (2009-2010), Necaxa (2010-2011), San Luís (2011-2013) e Pachuca (2013-2019), totalizando 741 jogos e 2 gols marcados.
Seleção Nacional: 1995-2010, 21 jogos. Participou das Copas do Mundo de 1998 (como reserva), 2002 e 2010 (como titular).
Títulos: Liga dos Campeões da CONCACAF (1996 e 1997 pelo Cruz Azul e em 2016-2017 pelo Pachuca); Liga Mexicana (1997 pelo Cruz Azul e 2016 pelo Pachuca); Copa México (1996-1997 pelo Cruz Azul); Copa das Confederações (1999).

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