ESSE É O BRASIL
A noite de ontem foi como um banho de descarrego para a Seleção Brasileira. Depois de muitas críticas após os jogos contra Venezuela e Colômbia, quando o Brasil teve atuações ruins, a equipe comandada por Tite enfim venceu e convenceu nessas eliminatórias, goleando o pobre time uruguaio. E olha que o placar final poderia ter sido ainda maior, não fossem algumas chances desperdiçadas e algumas grandes defesas do goleiro Muslera. Neymar, criticadíssimo após o rendimento recente pela Seleção, acusado de estar acima do peso, foi o maestro que coordenou a equipe para a vitória. A sua nota 10 no site de estatísticas Sofascore demonstra bem isso.
O Brasil foi escalado em um 4-2-3-1 mais fácil de entender, com Fred e Fabinho formando uma dupla de volantes, Raphinha e Paquetá abertos, e Neymar encostando em Gabriel Jesus, sempre com muita movimentação nesse quarteto ofensivo. Envolvendo a defesa uruguaia, o primeiro gol brasileiro saiu cedo, logo aos 10 minutos, em um belo passe de Fred que Neymar aproveitou, demonstrando calma e categoria para passar pelo goleiro e marcar o gol.
O Uruguai estava desorientado, e nem bem sofreu o primeiro gol, já viu sua desvantagem aumentar ainda mais quando Raphinha pegou um rebote de Muslera e fuzilou, colocando o 2 a 0 no placar. O Brasil era intenso, rápido e perigoso, alternando jogadas pelos lados direito e esquerdo, com Paquetá infernizando o lateral Nández e a dupla Raphinha e Emerson jogando muito bem em cima de Viña. Dessa forma, a Seleção Brasileira foi amplamente superior, não dando margem para qualquer avanço do ataque uruguaio. O 2 a 0 do primeiro tempo já era ótimo.
Na volta para o segundo tempo, obviamente insatisfeito com o desempenho de seu time na etapa inicial, Óscar Tabárez fez três trocas, sacando os laterais Viña e Nández para colocar Piquerez e Cáceres, além de optar pela entrada do volante Torreira na vaga de De La Cruz, um dos poucos que tentava alguma coisa no ataque. As mudanças tiveram pouco efeito prático na partida, e o Brasil seguiu dominante, criando chances cada vez mais perigosas. Em uma delas, Muslera teve que fazer uma dupla defesa, se virando como pôde de levar o terceiro gol. No entanto, aos 13 minutos, não teve jeito: em um contragolpe veloz, Neymar acionou Raphinha que, cara a cara com o goleiro, bateu cruzado, perfeito, no cantinho, colocando o 3 a 0 no placar. O Uruguai parecia um catado em campo.
O gol diminuiu um pouco o ritmo do Brasil, mas os jogadores que entraram, como Antony e Gabigol, trataram de reacender a chama ofensiva. Entretanto, quem conseguiu marcar seu gol foi o Uruguai, em uma cobrança de falta de Suárez no canto do goleiro Ederson, que falhou. O 3 a 1 ainda era muito favorável à Seleção Brasileira, mas um 4 a 1 demonstraria melhor o que foi o jogo. E foi esse o placar final após o gol de cabeça de Gabigol, contando com a luxuosa contribuição de Muslera.
Já fazia tempo que o Brasil não tinha uma atuação tão boa como a da noite de ontem, com muita velocidade, criação e vontade, sem centralizar suas jogadas somente em Neymar. O próprio camisa 10 do PSG fez uma de suas melhores atuações com a camisa da Seleção, aparecendo para fazer gols e dando assistências. É esse o Neymar que queremos, craque e capaz de resolver um jogo sozinho. Outra notícia positiva foi a atuação de Raphinha, que contribuiu muito com sua velocidade, dribles e posicionamento. No momento, ele, Paquetá e Neymar não podem sair do time. Vejo em Raphinha o ponta perfeito para esse esquema de Tite, relembrando os tempos de Willian e Douglas Costa na Copa de 2018.
Em tempo;
_ Admiro muito o trabalho de Tabárez por todos esses anos no Uruguai, mas já parece ser evidente que seu tempo já passou. O saldo uruguaio nessa Data Fifa é bem ruim, com apenas 1 ponto conquistado em um total de 9 disputados. Não à toa a imprensa uruguaia se pergunta: será que estamos perdendo a essência?
BRASIL 4x1 URUGUAI
Eliminatórias para a Copa do Mundo 2022 - 12ª rodada
Data: 14/10/2021 - 21h30
Local: Arena da Amazônia, Manaus (AM)
Árbitro: Fernando Rapallini (ARG)
Gols: Neymar aos 10' e Raphinha aos 18' do 1º; Raphinha aos 13', Suárez aos 32' e Gabriel aos 38' do 2º
Cartão amarelo: Fabinho, Valverde, Cavani e Coates
BRASIL: Ederson (5); Emerson (6,5), Lucas Veríssimo (6), Thiago Silva (C) (6) e Alex Sandro (6); Fabinho (6) (Douglas Luiz, 5,5), Fred (7) (Edenilson, sem nota), Raphinha (8) (Éverton Ribeiro, 6), Lucas Paquetá (7,5) (Antony, 6) e Neymar (8,5); Gabriel Jesus (5) (Gabriel, 6,5). Técnico: Tite (7,5).
URUGUAI: Muslera (6,5); Nández (3) (Cáceres, 4,5), Coates (3,5), Godín (C) (4) e Matías Viña (4,5) (Piquerez, 5); Vecino (4,5) (Torres, 5), Bentancur (3,5) (Gorriarán, 5,5), Valverde (5) e De La Cruz (5,5) (Torreira, 6); Cavani (4,5) e Suárez (5,5). Técnico: Óscar Tabárez (4).
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