ENFIM OS 50 ANOS ACABARAM

    Do contentamento à raiva. Da raiva ao desespero. Do desespero à esperança. E da esperança à festa. Esse foi o roteiro da noite dos atleticanos espalhados por todo o Brasil. Com um lapso de loucura em 4 minutos, o Galo transformou uma derrota parcial de 2 a 0 em uma gigantesca vitória de virada por 3 a 2, podendo enfim soltar o grito de campeão. 50 anos depois, o alvinegro de Belo Horizonte está novamente no topo.

    O título foi concretizado de forma sofrida, do jeito como os atleticanos estão acostumados. Antes mesmo do jogo começar, já se previa uma situação difícil, pois o Bahia ainda tem muito interesse no campeonato, lutando ferrenhamente contra o rebaixamento. E vendo a escalação do Galo, muitos torcedores certamente sofreram um frio na espinha, já que Allan e Diego Costa não foram escalados. Enquanto isso, o Bahia veio ofensivo, sem volantes "pegadores" no meio-campo, com Patrick de Lucca e Lucas Mugni jogando recuados.

    O primeiro tempo foi equilibrado. Alternando o domínio da posse de bola e o controle do jogo nos primeiros 20 minutos, Galo e Bahia adotaram propostas diferentes. Sem conseguir jogar no erro do adversário, os baianos tiveram mais volume, mas menos efetividade. Apesar de conseguir conectar bons passes, explorando a movimentação de Rodriguinho e Gilberto pelo meio, foi o Atlético quem esteve mais perto de marcar, primeiro em uma finalização de Keno de fora da área e depois em jogada de Nacho pela ponta-direita. Nas duas oportunidades, Danilo Fernandes fez a diferença, evitando o gol atleticano. A segunda defesa, inclusive, foi sensacional, esticando o braço esquerdo no chute forte do argentino. Em suma, o 0 a 0 ao final do primeiro tempo foi merecido, mas se havia um time para sair na frente no placar, esse era o Galo.

    Se o primeiro tempo teve mais toque de bola do que jogadas perigosas, o segundo foi frenético. Com uma raça ainda maior que na etapa inicial, não desistindo de nenhuma bola, o Bahia encontrava espaço, mas o Galo também levava perigo, chegando até a acertar a trave em um chute desviado de Hulk. Assim, o jogo era de trocação pura, no embalo da aleatoriedade. Qualquer time poderia abrir o placar a qualquer instante, tal o ritmo da partida.

    E foi o Bahia quem marcou primeiro. Aproveitando cobrança de escanteio de Mugni, Luiz Otávio subiu mais alto que Nathan Silva para acertar uma cabeçada no ângulo de Éverson. Impegável! O gol premiava a ótima atuação do zagueiro baiano, firme tanto por baixo quanto por cima. O Bahia estava na frente, e para a explosão absoluta da torcida, o segundo veio logo depois, com Gilberto escorando cruzamento rasteiro de Matheus Bahia. O 2 a 0 no placar permitia ao Tricolor se fechar e enervar o Galo, que sentira os gols sofridos.

    No entanto, nem deu muito tempo de se fechar. Com apenas 4 minutos em campo, Eduardo Sasha, que entrara na vaga de Nacho, foi derrubado por Luiz Otávio dentro da área, sofrendo um pênalti imbecilíssimo. Hulk converteu a penalidade e diminuiu o placar, o que foi a chave para o time virar o jogo. Atordoado, o Bahia vacilou na defesa e Keno tomou o protagonismo para si: um minuto após o gol de Hulk, o ponta-esquerda fez sua jogada clássica e acertou o ângulo de Danilo Fernandes. Três minutos depois, o mesmo Keno recebeu na entrada da área e colocou no cantinho direito do goleiro, dando números finais ao jogo. Keno era o grande herói, e o bi já era quase certo.

    Nos quase 20 minutos que se seguiram, o Bahia exalou nervosismo, e estava mais perto de tomar o quarto gol do que de empatar. Sem ordem, sem método, sem nada, os comandados de Guto Ferreira se limitaram a jogar a bola para a área a esmo e tentar jogadas impossíveis. Cansado e atordoado pela derrota iminente, o Tricolor morreu em campo, e mereceu perder. Quem deu show foi a torcida do Bahia, que empurrou o time durante grande parte do jogo e não tem culpa da ruindade que vê em campo. No momento, o Bahia merece o rebaixamento.

    Para o Galo, fica a confirmação do título com duas rodadas de antecedência. O time chegou aos 81 pontos, igualando o Corinthians de 2015 como o segundo melhor líder dos campeonatos de pontos corridos com 20 times. Ainda há dois jogos por vir, e esse recorde pode ser ainda maior. Mas agora o mais importante é levantar a taça no domingo e se concentrar para as finais da Copa do Brasil, que ocorrerão daqui a dez dias. A possibilidade de Tríplice Coroa é grande.

Em tempo:

_ Mais um penal para o Galo, o que só aumenta a marca do time com mais penalidades a favor no campeonato. Apesar disso, o de hoje foi indiscutível.

_ Luiz Otávio seria meu melhor em campo se o Bahia tivesse vencido, mas o pênalti que cometeu mancha muito sua atuação.


BAHIA 2x3 ATLÉTICO/MG
Campeonato Brasileiro 2021 - 32ª rodada
Data: 02/12/2021 - 18h
Local: Fonte Nova, Salvador (BA)
Árbitro: Flávio Rodrigues de Souza (SP)
Gols: Luiz Otávio aos 17', Gilberto aos 21', Hulk aos 28', Keno aos 29' e aos 32' do 2º
Cartão amarelo: Mugni, Danielzinho, Guilherme Arana, Eduardo Sasha e Nathan

BAHIA: Danilo Fernandes (7); Nino Paraíba (C) (5), Conti (4,5), Luiz Otávio (5) e Matheus Bahia (5,5); Patrick de Lucca (5), Mugni (5,5) (Danielzinho, 5,5), Rossi (4,5), Raí Nascimento (6) (Ramírez, sem nota) e Rodriguinho (5,5) (Ronaldo, 5,5); Gilberto (6) (Rodallega, 4,5). Técnico: Guto Ferreira (4).

ATLÉTICO/MG: Éverson (6); Mariano (5,5), Nathan Silva (4,5), Junior Alonso (C) (5) e Guilherme Arana (6); Tchê Tchê (4,5), Zaracho (5,5) (Igor Rabello, sem nota) e Nacho (6) (Eduardo Sasha, 6,5); Vargas (5) (Nathan, 6), Keno (8) (Dodô, sem nota) e Hulk (7). Técnico: Cuca (7).




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