(MAIS UM) BI EM MÃOS
Atormentado pelos rivais em anos recentes, o torcedor atleticano está tendo motivos de sobra para sorrir em 2021. Com um time poderoso e muito bem treinado, o Galo foi campeão com todos os méritos do Brasileirão, faturando um título que não vinha há 50 anos. E ontem, mais um feito: um atropelo gigante em cima do rival paranaense e a largada na frente pelo título da Copa do Brasil. O Galo só perde esse campeonato se um milagre acontecer na Arena da Baixada,
A partida de ontem foi ao melhor estilo desse Atlético/MG versão 2021. Praticando um futebol aplicado e envolvente, o time alvinegro sufocou o Furacão em sua defesa, não dando oportunidade para o campeão da Sul-Americana avançar. Tudo bem que a equipe de Alberto Valentim entrou demasiadamente defensiva no Mineirão, tentando se segurar contra o potente ataque atleticano, mas o Galo tem todos os méritos de uma goleada por 4 a 0.
O primeiro tempo foi um banho de bola. Com boas movimentações dos homens de ataque alvinegros, o Galo foi perigoso, encontrando espaços no recuado 3-4-3 do Furacão. Por sua vez, os paranaenses não conseguiam acionar Nikão e Terans, principais centros criativos da equipe. Só os chutões de Thiago Heleno para Abner davam razoável resultado, mas os erros de tomada de decisão comprometiam o mínimo perigo ofensivo. Assim, os gols saíram ao natural: o primeiro foi de Hulk, convertendo pênalti de Léo Cittadini ao tocar o cotovelo em uma bola; já o segundo foi de Keno, em bom chute de fora da área. O Athletico só apresentou algum risco ao gol de Éverson no finalzinho dos primeiros 45 minutos, o que é muito pouco para quem queria brigar pelo bi da Copa do Brasil. A vitória mineira deu a real noção da diferença de futebol entre as equipes.
O segundo tempo começou num ritmo abaixo, com o Galo postado esperando o contra-ataque e o Athletico tentando atacar, mas sem sucesso algum. Apesar da baixada de ímpeto, o time alvinegro ainda era mais perigoso, ancorado nas boas subidas de Keno e Arana pela esquerda, bem como Hulk, Zaracho e Vargas pela direita. Quando Alberto Valentim já pensava em fazer uma substituição para mudar o jogo, veio o erro grave de Thiago Heleno, que terminou em gol de Vargas depois do rebote de Santos. 3 a 0 e vitória praticamente garantida.
Os três gols de diferença deixaram o Furacão ainda mais nervoso. Se o time já errava lances simples, como passes curtos e dribles tranquilos, passava a errar mais e mais. Esse, aliás, foi um aspecto que me chamou a atenção no time paranaense. Desde o começo do jogo, foram vários os erros infantis, como uma saída de bola errada do goleiro Santos, chutando em cima de Diego Costa, representa. O Athletico parecia em uma rotação totalmente diferente da que o jogo, uma final, exigia. Aos 24 do segundo tempo, com mais um gol de Vargas, o placar já marcava 4 a 0.
Dito isso, o rubro-negro curitibano até deu uma melhorada a partir das substituições, mas muito mais por causa do acomodamento do Galo do que por méritos próprios. Adotando uma postura mais ofensiva, continuavam presentes os espaços deixados para o clube alvinegro, que só não construiu um placar mais acachapante por conta da displicência do ataque e da raça de alguns defensores, que tiravam fôlego não sei de onde para tirar a bola. Não fosse por isso e o Furacão teria saído do Mineirão com uma derrota vergonhosa sobre os ombros.
Projetando o segundo jogo da final, penso em um duelo difícil, como todos os da Arena da Baixada, mas não vejo o Furacão em reais condições de reverter o quadro e buscar o título. Talvez até vencer seja difícil, pelo estado de aplicação do Galo alvinegro. Jogando a bolinha de ontem, mais batendo que jogando, mais se enervando do que se tranquilizando, é capaz até que uma nova goleada ocorra em solo curitibano.
Em tempo:
_ Jogo muito parado por conta da inércia de Bruno Arleu de Araújo, o árbitro do jogo. Muitas rodinhas, confusões e discussões entre os jogadores, que também não ajudam. E olha que o cidadão foi o melhor árbitro do Brasileirão.
ATLÉTICO/MG 4x0 ATHLETICO/PR
Copa do Brasil 2021 - Final - Ida
Data: 12/12/2021 - 17h30
Local: Mineirão, Belo Horizonte (MG)
Árbitro: Bruno Arleu de Araújo
Gols: Hulk aos 24' e Keno aos 35' do 1º; Eduardo Vargas aos 11' e aos 24' do 2º
Cartão amarelo: Hulk, Guilherme Arana, Igor Rabello, Thiago Heleno, Nico Hernández e Pedro Henrique
ATLÉTICO/MG: Éverson (6,5); Mariano (6,5), Igor Rabello (6,5), Junior Alonso (C) (6) e Guilherme Arana (6); Allan (6,5) (Tchê Tchê, sem nota), Jair (6) (Calebe, sem nota), Zaracho (6,5) e Keno (7) (Nacho Fernández, 6); Hulk (6,5) e Diego Costa (5,5) (Eduardo Vargas, 7,5). Técnico: Cuca (7).
ATHLETICO/PR: Santos (4,5); Pedro Henrique (5), Thiago Heleno (C) (4) e Nico Hernández (4,5) (Pedro Rocha, 5); Marcinho (4,5), Erick (5,5), Léo Cittadini (4) (Fernando Canesin, sem nota) e Abner (5,5) (Nicolas, sem nota); Nikão (5), Terans (4,5) (Jader, 5) e Renato Kayzer (4) (Vinicius Mingotti, 5,5). Técnico: Alberto Valentim (4,5).
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