DEU SENEGAL

    Acabou a Copa Africana das Nações, e nela tivemos um campeão inédito: o Senegal. Depois do vice para a Argélia em 2019, os Leões de Teranga superaram o Egito nos pênaltis nesse ano e levantaram seu primeiro título do torneio. Senegal é, merecidamente, o grande campeão da África, um título muito simbólico para a nação senegalesa e, também, para a África negra.

    Na grande final, a seleção alviverde passou por emoções fortes, como no pênalti perdido logo pelo seu craque Sadio Mané, defendido pelo goleiro egípcio Gabaski, mas Senegal foi firme em seu propósito e, depois de exaustivos 120 minutos de futebol, venceu o Egito nos pênaltis. O melhor time foi mesmo o campeão.

    Senegal chegou em Camarões com o peso do favoritismo. No entanto, durante a fase de grupos, a seleção treinada por Aliou Cissé não esteve bem, penando contra Zimbábwe, Malaui e Guiné. A vitória perante Zimbábwe na estreia foi a única do time na fase de grupos, conquistada somente com um pênalti convertido por Mané aos 52 do segundo tempo. Nos demais jogos, dois 0 a 0 contra Guiné e Malaui. Assim, diante desse cenário, o favoritismo senegalês caiu.

    Foi no mata-mata que os Leões voltaram a se encontrar. Vitórias convincentes, como contra Cabo Verde (2 a 0), Guiné Equatorial (3 a 1) e Burkina Faso (3 a 1) reabilitaram o time no torneio, trazendo a confiança de volta para a torcida senegalesa. Assim, o time pôde chegar mais forte para a final contra o Egito e fazer valer sua qualidade superior, mesmo que nos pênaltis. Não à toa Senegal tem tantas caras conhecidas do futebol europeu, como Mendy, Mané e Koulibaly, para ficar só nesses.

    O triunfo senegalês também foi muito importante para a África negra por conta de dois motivos. Primeiro, claro, pelo primeiro título da seleção local e superando uma equipe da região árabe da África; e em segundo lugar, para derrubar o mito dos técnicos brancos como salvadores do futebol africano: Aliou Cissé, treinador de Senegal, é negro e foi jogador da seleção nacional por muito tempo, fazendo parte inclusive do sensacional time do Senegal em 2002. Sem dúvida ele é e será uma inspiração para muitos técnicos negros africanos nos próximos anos.

    Agora que a competição acabou, vamos a um pequeno resumo do que aconteceu nesses quase 30 dias de Copa Africana em Camarões:

Copa Africana das Nações 2021

Gols: 100
Partidas: 52
Média: 1,92 por partida
Campeão: Senegal (1º título)
Vice: Egito
Terceiro: Camarões
Quarto: Burkina Faso
Artilheiro: Vincent ABOUBAKAR (CMR) - 8 gols
Melhor jogador: Sadio MANÉ (SEN)
Melhor jogador jovem: Issa KABORÉ (BUR)
Melhor goleiro: Édouard MENDY (SEN)
Maior goleada: Tunísia 4x0 Mauritânia, 16/01, Limbe Stadium, Grupo F - 2ª rodada

Seleção do campeonato: Mendy; Hakimi, Abdelmonem, Tapsoba e Ciss; Elneny, N. Mendy e B. Touré; Salah, Mané e Aboubakar. Técnico: Aliou Cissé.

Em tempo:

_ Muito bom ver a Band transmitindo esse torneio, que foi sempre ignorado por quase todas as outras redes de televisão (aberta ou fechada). Não à toa a audiência dos jogos foi muito boa. Entretanto, cabe a crítica sobre a cobertura: ver jogos importantes como esses com a narração de Datena e comentários de Neto e outros é muito ruim. Contudo, melhor ver com eles do que não ver o jogo.

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