DEU A LÓGICA NO CLÁSSICO MINEIRO
Que me perdoem os gaúchos, os cariocas e os paulistas, mas para mim, nascido e criado em Minas Gerais, e não torcendo por nenhum dos dois clubes, vejo o clássico mineiro entre Atlético e Cruzeiro como o maior do Brasil. E o grande clássico que tivemos neste sábado certamente entrou para a história do confronto, pela volta do Mineirão dividido meio a meio, as torcidas disputando para ver quem grita mais alto e os dois times jogando forte em busca do título. Definir a final em uma partida única foi um grande acerto dos gestores. No entanto, dentro de campo, não houve igualdade, e com uma partida muito boa de suas melhores peças, o Galo venceu merecidamente por 3 a 1. Dessa vez, deu a lógica.
Claro que os cruzeirenses esperavam mais, e podem até ficar felizes pela garra e luta que o time teve. Embora o Atlético tenha feito um primeiro tempo melhor, a Raposa também teve das suas chances, como no chute de Pedro Castro aos 15 minutos, mas Éverson defendeu bem. No entanto, chamou a atenção os erros na saída de bola cruzeirense, especialmente pelo meio-campo, o que fez o Galo levar perigo. Foi assim que Hulk teve a primeira chance perigosa do jogo logo aos 3 minutos, mas Rafael Cabral se redimiu da falha na cobrança do tiro de meta que gerou o lance e fez boa defesa.
Depois de 20 minutos em que o equilíbrio imperou, com o Galo melhor mas nervoso e o Cruzeiro buscando marcar muito, o time alvinegro tomou para si o controle da partida, acionando seus jogadores mais habilidosos, pela esquerda e pela direita. Foi a partir de uma troca de passes na direita entre Mariano e Nacho Fernández que Hulk recebeu na entrada da área, trouxe para o meio e, mesmo acossado por Eduardo Brock, bateu no cantinho do goleiro Rafael, que ficou parado vendo a bola entrar. O 1 a 0 já foi um baque para o Cruzeiro, que teria que remar muito contra o poderoso Atlético para empatar.
Mesmo perdendo e sendo inferior ao adversário, a Raposa não desistiu e foi para cima em busca do empate. Foi trocando bons passes pela direita e achando espaço entre as linhas alvinegras que o Cruzeiro criou chances, primeiro com Pedro Castro e depois com Edu, mas o goleiro Éverson as defendeu bem, mantendo o 1 a 0. Era preciso continuar nesse ritmo e ter mais poder de fogo para buscar o empate no segundo tempo, enquanto para o Galo só era preciso manter o ritmo e tentar o segundo gol para matar o jogo.
A etapa final começou morna, com as duas equipes se anulando, mas o jogo só melhorou com as substituições dos treinadores, principalmente pelo lado do Cruzeiro, que contou com João Paulo e Waguininho em campo. Logo em seu primeiro lance na partida, o ex-jogador do Coritiba colocou Éverson para trabalhar, chutando no canto do goleiro, mas novamente a bola não entrou. Por sua vez, o Galo era mais fatal: no lance seguinte, o ataque alvinegro pegou a defesa cruzeirense desarrumada, e mesmo em inferioridade numérica, a bola chegou para Nacho marcar um golaço, limpando fácil o marcador e batendo forte no alto. A consumação do 2 a 0 praticamente definiu o jogo.
Perdendo, o Cruzeiro se lançou para cima, e como era esperado, sofreu no contra-ataque. Aos 32, o Galo conseguiu encaixar um, com Hulk se aproveitando de um erro bisonho do zagueiro Oliveira para levar a bola dentro da área, só parando com um pênalti marcado pelo árbitro (de forma equivocada ao meu ver). Na cobrança, o próprio Hulk bateu e fez mais um, garantindo-se na artilharia do Mineiro e como campeão estadual. Só faltava o tempo acabar mesmo para a taça ser alvinegra. No finzinho, já quando a torcida do Atlético fazia a festa, alguns cruzeirense iam embora e o estádio estava tomado pela fumaça atleticana, o artilheiro Edu fez o de honra celeste, conferindo justiça ao placar, pois o Cruzeiro merecia marcar pelo menos um, e ao seu futebol, pois o camisa 99 é um centroavante chato, que incomoda bastante. Certamente ele será muito importante na disputa da Série B desse ano.
Como vimos, deu a lógica, com um Galo mais forte e poderoso sendo campeão contra um Cruzeiro lutador, mas sem a técnica e a qualidade do atual campeão da Série A. Quem torce pelos dois times hoje pode ficar feliz: o Atlético segue sendo um dos times mais fortes do país e o Cruzeiro tem boas chances de subir para a primeira divisão se seguir nesse ritmo e confiar no trabalho de seu treinador. A perspectiva para 2022 é boa para os gigantes de BH.
Em tempo:
_ No Cruzeiro, má partida dos zagueiros e do lateral direito Rômulo, além do pouco útil Vitor Leque. Já seu quase xará Vitor Roque foi regular, mostrando vontade e boa qualidade para driblar, mas esteve bem vigiado.
ATLÉTICO 3x1 CRUZEIRO
Campeonato Mineiro 2022 - Final
Data: 02/04/2022 - 16h30
Local: Mineirão, Belo Horizonte (MG)
Árbitro: Felipe Fernandes de Lima
Gols: Hulk 31' e 81' (p), Nacho Fernández 65' e Edu 90'
Cartão amarelo: Réver, Nacho, Allan, Hulk, Edu, Willian Oliveira e Rafael Cabral
ATLÉTICO: Éverson (6,5); Mariano (6,5), Nathan Silva (6), Réver (C) (6) e Guilherme Arana (5,5); Allan (5,5) (Otávio, sem nota), Jair (6) (Eduardo Sasha, sem nota), Zaracho (5), Keno (5,5) (Ademir, 6) e Nacho Fernández (7) (Junior Alonso, sem nota); Hulk (7,5). Técnico: Antonio Mohamed (7).
CRUZEIRO: Rafael Cabral (5,5); Rômulo (C) (4,5), Oliveira (5), Eduardo Brock (4,5) e Rafael Santos (6); Willian Oliveira (5,5) (Miticov, sem nota), Pedro Castro (6,5) (João Paulo, 6) e Fernando Canesin (6) (Adriano, sem nota); Vitor Roque (5,5), Vitor Leque (4,5) (Waguininho, 6) e Edu (7). Técnico: Paulo Pezzolano (6).
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