EMPATE ESPERADO, ATUAÇÕES FRUSTRANTES

Piquerez x Ademir: na maioria das disputas, o uruguaio levou a melhor.

    Antes das 16h de ontem, o mais indicado a se ocorrer no Allianz Parque para o jogo entre Palmeiras e Atlético/MG era um empate, pois são duas equipes com forças equivalentes, embora em momentos distintos. No entanto, apesar da confirmação de tal previsão, outra não se concretizou: a de que seria um grande jogo. Na verdade, paulistas e mineiros fizeram uma partida em que as defesas prevaleceram e os ataques pouco criaram, resultando num enfadonho e monótono 0 a 0.

    Com os desfalques de Weverton e Danilo, que serviam à Seleção Brasileira, e dos também selecionáveis Gustavo Gómez, Atuesta e Kuscevic, o Palmeiras pôde contar com a volta do zagueiro Luan após um grande período por lesão e a repetição da escalação do quarteto de frente com Raphael Veiga, Scarpa, Dudu e Rony. Já o Atlético, menos desfalcado, entrou em campo sem Guilherme Arana na lateral esquerda e com Eduardo Sasha jogando no ataque ao lado de Hulk, suprindo as ausências de Keno, Zaracho e Vargas. Assim, vê-se que os times tinham os seus desfalques, mas ainda assim contavam com boas peças no time titular.

    Dentro de campo, o primeiro tempo foi de equilíbrio. O Galo começou melhor, conseguindo acionar seus homens de lado de campo e forçando as subidas de Rubens pela esquerda. No entanto, o Palmeiras equilibrou o jogo depois dos 15 minutos, com Gustavo Scarpa tentando assumir a responsabilidade de armar o jogo depois da saída do lesionado Raphael Veiga, mas o time alviverde pouco produziu. Rony, deslocado para a esquerda depois da entrada de Rafael Navarro, era quem mais conseguia dar trabalho mesmo com seu jogo atabalhoado. Já pelo lado direito, Dudu e Marcos Rocha conseguiam levar a melhor em cima de Rubens, mas ainda faltava um capricho melhor na execução das jogadas. Depois dos 35 minutos, quando os botes e as entradas ficaram mais duras, pouco jogo aconteceu, e as equipes se anulavam em campo. Na melhor chance da primeira etapa, Rafael Navarro bateu mal, para longe do gol, e perdeu a chance de abrir o placar.

    Se o primeiro tempo foi ruim, o segundo foi ainda pior. Com pouquíssimas chances criadas, raras finalizações e apenas uma defesa de goleiro, a etapa complementar se restringiu mais a duelos individuais pelo lado do campo do que por chutes de lado a outro. No lado palmeirense, Piquerez foi muito bem pelo lado esquerdo, anulando o jogo do apagadíssimo Ademir, enquanto Murilo e Luan marcavam muito bem o atacante Hulk. Já na direita, Marcos Rocha levava a melhor contra quem ousava ameaçá-lo. Por sua vez, o Galo tinha nas figuras de Mariano, Nathan Silva e Junior Alonso bons marcadores. Quem deixava a desejar era a turma da frente.

    A única finalização perigosa do segundo tempo saiu só nos acréscimos, quase no último minuto, quando Marcelo Lomba cresceu para cima de Nacho Fernández na área e fez uma boa defesa. Nem foi uma grande defesa, o que demonstra a ruindade que acometeu as duas equipes nesse jogo. Repetindo o filme dos dois jogos entre eles da Libertadores anterior, Palmeiras e Galo fizeram um jogo muito aquém. Quem sorri com isso é o Corinthians, que voltou para a liderança do campeonato no último sábado. O que essa partida demonstra bem é o seguinte: no futebol brasileiro nessa temporada, ninguém está empolgando, e só quem for menos irregular poderá levantar a taça.

Em tempo:

_ Preocupação para o Palmeiras: com apenas 14 minutos em campo, Raphael Veiga teve que deixar o jogo após sentir uma fisgada na coxa. Já Hulk, o outro jogador pedido na Seleção, teve atuação ruim como se lê no texto.


PALMEIRAS 0x0 ATLÉTICO/MG
Campeonato Brasileiro 2022 - 9ª rodada
Data: 05/06/2022 - 16h
Local: Allianz Parque, São Paulo (SP)
Árbitro: Wilton Pereira Sampaio (GO)
Cartão amarelo: Gabriel Menino, Abel Ferreira, Mariano, Nacho e Otávio

PALMEIRAS: Marcelo Lomba (6); Marcos Rocha (C) (7), Luan (6), Murilo (7) e Piquerez (7); Zé Rafael (5,5) (Pedro Bicalho, sem nota), Gabriel Menino (5,5) (Fabinho, 6), Dudu (5) (Breno Lopes, sem nota), Gustavo Scarpa (6) e Raphael Veiga (5,5) (Rafael Navarro, 4); Rony (5,5) (Gabriel Veron, 5,5). Técnico: Abel Ferreira (5,5).

ATLÉTICO/MG: Éverson (6); Mariano (7), Nathan Silva (7), Junior Alonso (6,5) e Rubens (5,5); Allan (5,5), Jair (5,5) (Sávio, sem nota), Ademir (4), Eduardo Sasha (5) (Otávio, 5,5) e Nacho (5,5); Hulk (4,5) (C). Técnico: Antonio Mohamed (5).

O CRAQUE DO JOGO: Marcos Rocha (Palmeiras) - Com muita elegância, qualidade na marcação e liderança, Marcos Rocha fez mais um bom jogo e chamou a atenção pelo lado do Palmeiras. Para ser o melhor em campo isolado da partida, só faltou aparecer mais no ataque mesmo.

O PEREBA DO JOGO: Rafael Navarro (Palmeiras) - Uma boa chance perdida, logo a mais clara do time, pouca participação no jogo e sendo anulado pela defesa atleticana: essa foi a atuação de Navarro no Allianz Parque. Nem pareceu o homem que fez tantos gols na Libertadores.

NOTA DA ARBITRAGEM:  para Wilton Pereira Sampaio (GO) - Juiz de Copa do Mundo, o goiano conseguiu dar ritmo ao jogo em boa parte do tempo, não marcando qualquer faltinha e deixando a partida correr. No entanto, faltou conversar menos em certos momentos, principalmente na disputa entre Gabriel Menino e Nacho no primeiro tempo. De forma geral, o apitador do jogo não interferiu no resultado final e nem precisou do VAR, o que é sempre positivo.

O QUE VEM POR AÍ: O Palmeiras tem agora o Botafogo pela frente na próxima quinta-feira (9), às 19 horas, novamente em casa. Já o Galo continua longe de BH e enfrenta o Fluminense no Rio na próxima quarta às 21h30.

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