LEGALIZAÇÃO DA PALHAÇADA

    Duas notícias têm tomado conta dos debates esportivos nas redes sociais nesta sexta-feira com cara de fim de ano: a discussão, por parte dos clubes da Série A, sobre a diminuição do número de clubes rebaixados na primeira divisão, caindo de quatro para três, e a restrição para jogadores estrangeiros em território brasileiro. As duas ideias, pensadas como tal, são estapafúrdias e um verdadeiro retrocesso no futebol nacional.

    Sobre a primeira ideia, o Campeonato Brasileiro é um dos poucos no mundo com uma taxa tão grande de clubes rebaixados em relação ao total de participantes de sua principal liga, que é de 20%, um número que, olhando friamente, é grande. No entanto, num momento em que cada vez mais a disputa pelo título fica restrita entre os clubes mais organizados do continente, que são Flamengo e Palmeiras, é a luta contra a queda à Série B que tem chamado mais a atenção no campeonato e despertado mais emoções. Reduzir esse número para três, assim como é adotado nas ligas europeias, deixará a primeira divisão nacional ainda mais elitizada, ajudará a perpetuar clubes grandes mas desorganizados na Série A e dificultará que mais equipes diferentes vindas da Série B possam disputar a elite do futebol brasileiro.

    Já a segunda medida pode ter consequências nefastas para o futebol brasileiro em relação ao mercado mundial e ao restante da América do Sul. Diminuir o número de estrangeiros inscritos, que hoje é de 9, fará com que os times brasileiros passem a contar com mais jogadores nascidos no Brasil em seus elencos, o que por si só não é bom. Além disso, se a ideia é incentivar o uso da base, essa estratégia está sendo feita de forma equivocada, já que nossos jovens talentos continuarão a ir para o futebol europeu normalmente, muitas vezes com pouco tempo de profissionais. O foco não é em melhorar a seleção nacional, já que isso não afetará em nada nosso esquadrão canarinho, mas me parece mais uma medida mal pensada e uma tentativa de justificar os fracassos do nosso país no esporte futebol, como vem sendo de praxe em nosso país. Espero que nada disso seja aprovado.

Em tempo:

- Já a ideia de dar uma vaga para a Libertadores ao vice-campeão da Copa do Brasil é interessante, mas ainda premiará campanhas incompetentes. Se Vasco e Corinthians fizessem a final da Copa do Brasil atual, por exemplo, 13º ou 14º colocados do Brasileirão iriam para a Liberta. O certo é acabar de vez com essa farra de vagas na competição de clubes mais importante do continente.

- Na outra semi da Copa do Brasil, não deu a lógica, assim como em Cruzeiro x Corinthians. De virada, o Vasco, que vinha num mau momento, bateu o Fluminense com gol no último lance por 2 a 1. Rayan e Vegetti fizeram para o clube da cruz de malta, enquanto Serna abriu o marcador para o Flu.

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