AS COPAS DA MINHA VIDA

    Daqui 8 dias o mundo estará de olhos bem abertos e voltados para os Estados Unidos, o México e o Canadá, onde se iniciará a 23ª Copa do Mundo de futebol, o maior e mais importante torneio esportivo de todo o planeta. Por isso, a partir de hoje até o dia 11 de junho, com pequenas pausas para o feriado que vem vindo, o Retrancados estará atento sobre tudo que envolve o torneio, as seleções, as expectativas e as partidas, com vários textos publicados aqui até o dia 19 de julho (ou depois).


    Quando se trata de Copa do Mundo, sempre vem à nossa mente a lembrança das copas anteriores e os momentos que já vivemos, memórias boas, outras nem tanto, desse evento que movimenta todos os povos a cada 4 anos.

    Do alto de meus 26 anos, apesar de ter nascido em 99, obviamente não lembro em nada da Copa de 2002, ano da última taça conquistada pela Seleção Brasileira. A minha primeira Copa foi mesmo a de 2006, a que é tida por mim como a que teve mais craques dentro de campo, como Figo, Zidane, Del Piero, Totti, Ronaldinho, Ronaldo, Riquelme, Nedved, Ibrahimovic, Beckham, entre outros, além do surgimento dos jovens Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. Eu tinha apenas 6 anos naquela época, mas lia, relia e devorava o pequeno guia da Copa que meu pai havia trazido do serviço. Lembro-me bem da vitória de vários momentos daquele Mundial, como as vitórias brasileiras contra Croácia e Austrália (esta num domingão à tarde) e da goleada sobre o Japão, naquela que foi a melhor exibição do escrete canarinho em solo alemão. Pena que, nas quartas de final, viria a França de Zidane, e Henry colocaria a pá de cal naquela superestimada e badalada Seleção Brasileira, para o meu choro de criança inocente.

    Quatro anos depois, veio a copa da África do Sul, a primeira que acompanhei completamente e entendendo um pouco mais de futebol. O clima da Copa era sensacional, com as sensacionais e irritantes vuvuzelas, mas também com as coreografias na arquibancada e a animação das torcidas em solo africano. Foram muitos os momentos especiais daquele mundial, mas pena que nossa Seleção Brasileira decepcionou nas quartas, contra a Holanda, e acabou indo embora mais cedo. Foi a última vez que vi meu avô Dozinho torcendo pelo Brasil - de lá pra cá, só torce contra. Na final, a Espanha venceu os holandeses na prorrogação, resultado que me rendeu 10 reais num bolão que fizemos aqui em casa.

    Mais quatro anos se passaram e chegamos à Copa mais especial da minha vida: a de 2014. Em 2006 eu ainda era muito novo e em 2010, como estudava de manhã, não pude acompanhar alguns jogos, mas em 2014, pela copa ter sido no Brasil, as férias escolares foram emendadas com o período de disputa do torneio, o que me rendeu mais de um mês em casa. Vi todos os jogos daquele mundial, inclusive o 7 a 1, em que eu torci para a Alemanha, revoltado com a puxação de saco da Globo e da imprensa com Neymar e companhia, além, claro, pelo prazer daquela seleção alemã com uma pitada de Flamengo no uniforme. No entanto, foi a última vez que torci contra nosso escrete canarinho.

    Em 2018, a Copa foi na Rússia. Já na faculdade, estudando no período noturno, e sem trabalhar, pude assistir a 99% dos jogos do Mundial, menos a goleada da Inglaterra sobre o Panamá por 6 a 1. Apesar do clima de frieza nas arquibancadas, foi a primeira Copa em que tive mais acesso à internet para participar dos debates sobre a competição e a seleção brasileira. Nas quartas, após jogos bem medianos na primeira fase e uma vitória contra os fregueses mexicanos nas oitavas, caímos para a poderosa geração de ouro belga.

    Por fim, 2022 foi a Copa que menos pude acompanhar em minha vida, menos por compromissos de trabalho e mais por questões pessoais. Graças a Deus tudo está resolvido, a vida está bem melhor e agora, em 2026, não haverá esse problema. A expectativa é grande para um torneio tão gigante como essa primeira Copa do Mundo com 48 seleções e 104 jogos, todos disponíveis ao vivo na internet. É a nova era do streaming na transmissão de jogos.

    Agora, vamos juntos mais uma vez em busca do tão sonhado hexa, nosso objetivo há 24 anos. A confiança não é tão grande, existem seleções à nossa frente, mas é possível chegar lá. A partir de 13 junho, contra o Marrocos, todos os corações estarão com o Brasil.

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