CLÁSSICO COM GOSTO AMARGO

    O primeiro clássico do ano entre Atlético e Cruzeiro teve muitos dos ingredientes que se esperam de um confronto entre Galo e Raposa: bom futebol, gols, provocações, algumas entradas mais duras e, principalmente, muita emoção. Saindo na frente no placar, o Cruzeiro esqueceu de jogar no segundo tempo e acabou superado pelo Atlético de virada, num resultado justo mas que poderia ter sido ainda pior. O sabor do jogo, para fazer referência ao estranho copo bebido por Kaio Jorge na comemoração de seu gol, foi amargo para as pretensões da Raposa.


    O cenário era decisivo para as duas equipes antes da partida. Ainda sem encantar no Estadual, os dois maiores de Minas precisavam da vitória para se aproximarem da classificação à próxima fase do Campeonato Mineiro, enquanto que um tropeço dificultaria muito o panorama das equipes. Pensando nisso, os dois times vieram a campo brigando intensamente pela bola desde o primeiro segundo.

    O primeiro tempo foi de um Cruzeiro melhor, mais coeso e tranquilo com a bola no pé e tendo mais noção do que fazer, enquanto o Galo ia mais na vontade e no abafa do que na real qualidade ou no jogo bem jogado. Assim, o 1 a 0 parcial ao final dos primeiros 45 minutos era justo pelo que os dois times desempenharam na etapa inicial, com Kaio Jorge marcando em falha da defesa atleticana.

    No entanto, o Cruzeiro praticamente não voltou para o segundo tempo. Desconectado do jogo e meio sonolento na marcação, o time comandado por Tite entrou em marcha lenta na Arena MRV, sendo presa fácil para o Galo, que tinha no seu lado esquerdo ofensivo sua principal arma, desde o primeiro tempo. Assim, os gols vieram naturalmente, primeiro com Bernard em grande jogada de Dudu pelo lado esquerdo, e depois com Hulk, finalizando sensacional jogada preparada por ele mesmo e que contou com um corte seco em Jonathan Jesus e um chute perfeito no ângulo de Cássio.

    Tite até tentou reagir colocando Gerson e Arroyo em campo, mas se o primeiro ainda está se ambientando ao time e procurando o melhor lugar para jogar, o segundo oscila muito. Depois do 2 a 1, o Galo teve oportunidades de fazer até mais, mostrando como a defesa do Cruzeiro se perdeu no jogo, mas a Raposa teve a mais clara delas, dentro da pequena área, mas Arroyo perdeu um gol inacreditável.

    O 2 a 1 no clássico mostra que os dois times ainda estão em construção e vão precisar melhorar nesse início de temporada. Para o Galo, o volume ofensivo, criticado nos outros jogos, agora merece ser parabenizado, com a assinatura do trio de frente fazendo um bom jogo, resultado que ajuda o clube a buscar a classificação. Já para a Raposa, a sensação é de que o time deveria ter jogado melhor, especialmente no segundo tempo, e se defender melhor. Gerson precisa ser testado desde o início com o time titular, pois ele veio para integrar o time ideal. Sua qualidade ao lado da de Matheus Pereira podem levar o Cruzeiro a coisas grandes na temporada, mas cabe a Tite saber utilizá-lo. Por ora, ontem ele não soube.

Em tempo:

- Cássio jogou no sacrifício, com até os ligamentos da mão esquerda rompidos. Mesmo assim, fez um bom jogo e não teve culpa nos gols.


ATLÉTICO 2x1 CRUZEIRO
Campeonato Mineiro 2026 - 5ª rodada
Data: 25/01/2026 - 18h
Local: Arena MRV, Belo Horizonte (MG)
Público: 39.332
Árbitro: Davi de Oliveira Lacerda (ES)
Gols: Bernard 56' e Hulk 68' | Kaio Jorge 26'
Cartões amarelos: Victor Hugo, Gustavo Scarpa, Alan Franco e Fabricio Bruno

ATLÉTICO/MG: Éverson; Preciado (Igor Gomes), Ruan Tressoldi, Junior Alonso e Renan Lodi; Maycon, Victor Hugo (Alexsander) e Alan Franco; Bernard (Gustavo Scarpa), Dudu (Cuello) e Hulk (C) (Reinier). Técnico: Jorge Sampaoli.

CRUZEIRO: Cássio; William, Fabricio Bruno, Jonathan Jesus e Kaiki; Lucas Romero (Chico da Costa), Lucas Silva (C) (Gerson), Christian (Japa), Wanderson (Arroyo) e Matheus Pereira; Kaio Jorge. Técnico: Tite.

O CRAQUE DO JOGO: Não foi uma partida de grandes atuações destacadas assim não, mas pelo bom futebol apresentado e por não ter dado sono a Fabricio Bruno pelo lado esquerdo, eu escolho Dudu.

O PIOR EM CAMPO: Alguns outros jogadores podem ser escolhidos, principalmente do setor defensivo do Cruzeiro, mas p pior deles foi Fabricio Bruno. O rápido zagueiro celeste certamente fez uma das suas piores exibições desde que voltou ao clube, passando apertos na marcação de Dudu e ainda errando na saída de bola no segundo gol.

A ARBITRAGEM: O promissor árbitro capixaba Davi de Oliveira Lacerda acertou na sua abordagem de deixar o jogo correr, não marcando qualquer faltinha. Ademais, no lance polêmico envolvendo Bernard e Kaiki na área, não vejo pênalti, assim como o árbitro. No entanto, seu erro foi não expulsar Gustavo Scarpa em uma entrada no tornozelo de Lucas Romero. Assim, a nota é 5.

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